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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SCREEN SHOT por A.A.M.

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)







Com uma vasta e diversa filmografia, Jim Jarmusch, conhecido pela sua excentricidade de pensamento, regressa com um twist a um tema muito batido nos últimos anos: Vampiros. E isto seria o suficiente para afugentar todos aqueles que não se relacionam com este estilo não fosse a suspeita que este realizador com qualquer tema, mesmo com café e cigarros ("Coffee and Cigarettes" 2003) consegue algo de extraordinário. “Only Lovers Left Alive” retrata o sentimento melancólico e de depressão de quem tem vida eterna, na pele de um compositor de música que se desencontrou com a sua musa. Entre os prémios atribuídos ao filme e realizador, de destacar, como não poderia deixar de ser, o de melhor duo: TomHiddleston e Tilda Swinton.




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Livros que nos devoram por Luísa Félix

Uma Agulha no Palheiro / À Espera no Centeio


Bastou a J. D. Salinger criar, na década de cinquenta do século passado, uma personagem como Holden Caulfield para que uma das suas obras se tornasse uma das mais lidas por várias gerações de adolescentes.

A obra, que integrou, durante alguns anos, o programa da disciplina de Inglês do 12.º ano, não foi apenas lida, como inspirou músicos (para exemplo, refira-se a existência de uma banda com o nome do protagonista), filmes (em Teoria da Conspiração, a personagem interpretada por Mel Gibson é de tal forma obcecada pelo livro que não resiste a comprar um exemplar sempre que tem oportunidade) ou assassinos (Mark Chapman, o homem que matou John Lennon, em 8 de Dezembro de 1980, fazia-se acompanhar de um exemplar de The Catcher in the Rye).
Holden, um jovem de dezassete anos, é, simultaneamente, o narrador e protagonista do romance cujo título, em Portugal, foi traduzido, nas primeiras edições (Livros do Brasil), como Uma Agulha no Palheiro e, mais recentemente, como À Espera no Centeio.
A acção da obra decorre sobretudo em Nova Iorque, antes do início das férias de Natal. Holden Caulfield, que pertence a uma família de classe média-alta, fica a saber que será expulso de mais um colégio. Depois de uma conversa com o professor de História, o único que verdadeiramente admira e respeita, decide, sem que os pais saibam, antecipar a ida para Nova Iorque, onde vagueia durante três dias.
Holden avisa-nos, logo na primeira página, que tenciona contar-nos os acontecimentos que o conduziram à casa de saúde, que supomos ser um hospital psiquiátrico, onde se encontra quando inicia o relato. No seu “diálogo” com o leitor, o jovem, num registo marcadamente coloquial, em que abunda o calão, conta não só os incidentes imediatos à sua partida para a “big apple”, como dá conta das reflexões que personagens com as quais se cruzou e situações que presenciou suscitaram. Fala também do irmão que lhe foi roubado pela doença e que continua a admirar, do irmão mais velho que, segundo ele, desperdiça talento e se “prostitui”, escrevendo guiões para Hollywood, dos pais, por quem sente algum desprezo, e da ternura que o liga à irmã. É, aliás, numa incursão nocturna e furtiva a casa dos pais, que Phoebe, a irmã de seis anos, o confronta com a sua imaturidade e com as suas indecisões sobre o seu futuro profissional.
Holden cativa, não só pela irreverência, como pelo sentido de humor e por uma certa fragilidade que desperta talvez em nós um certo instinto protector.
Para quem se sente à vontade com o inglês, aconselha-se a leitura no original, visto que certas expressões perdem o seu sentido pleno quando traduzidas. Tal não invalida que os menos “corajosos” não possam lê-la em português e desfrutar de bons momentos de leitura. Fica o conselho.


domingo, 26 de outubro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Daughter são um trio Londrino de "Indie Folk" composto por Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella. If You Leave, lançado em 2013, é o seu álbum de estreia. No período entre 2010 e 2012 lançaram dois EP´s, de onde saíram músicas para séries Britânicas. A editora é a 4AD, o que por si já é revelador, a produção está a cargo de Igor Haefeli e Rodhaidh McDonald, entenda-se "The XX", as misturas feitas por Ken Thomas, entenda-se "Sigur Rós" e "M83". Os temas das letras oscilam entre os pensamentos de Elena, a busca pela catarse e o apelo universal. Musicalmente a banda consegue uma harmonia extraordinária entre a voz, a guitarra e a secção rítmica. "If You Leave" é um trabalho ambicioso com letras maduras e embora os temas possam ser pesados, por vezes, não há dúvida que o futuro desta banda é brilhante.
Fiquem com o single "Still".



sábado, 25 de outubro de 2014

Crime Entre Amigos por Paulo Seara

(Se perdeste, na semana passada, a estreia de Crime Entre Amigos, podes ler aqui o capítulo primeiro.)


Capítulo II – 2 de Novembro



Rogério deixou-se ficar atrás de um renque de arbustos despidos, o nevoeiro começava a entrar no campo quando apareceu Edmundo, que se dirigiu para o abrigo nu e improvisado. A conversa que o trouxe foi posta ali cruamente, os factos, por mais bizarros que parecessem, não os iludiam, existiria algum fundo de verdade? Rogério pensou tratar-se de um embuste, toda aquela história que o velho Gonçalves, tio-avô de Edmundo, contara em criança poderia ser uma fantasia ou, no misto de verdade e mito, a tal imagem da santa da aldeia poderia ser mesmo única e valeria a pena consumar um crime? Edmundo insistiu durante minutos, decompôs o caso, taxativo, garantindo-lhe, uma aparente  veracidade do conto porque tinha provas – mostrou-lhe umas fotocópias de uma pesquisa que fez acerca de um Conde Castelhano, que escondeu dentro da imagem da Santa, que  mandara fabricar, algumas preciosidades que saqueou durante uma incursão à Andaluzia. Mais tarde a imagem foi trazida para Portugal num dote, já depois da morte do cavaleiro  cruzado, e acabou, desconhecidamente, na igreja da sua aldeia, que pertencera a uma ordem religiosa por testamento ou doação.
A história abria vapores rubros num cérebro fervilhante de imaginação. Rogério, muito desconfiado, concordou que havia uma possibilidade de tudo ser verdade, mas umas linhas  escritas num papel não valem muito quando não existem imagens, toda a pesquisa poderia ser uma fraude, e os esforços de Edmundo que pesquisara anafadamente seriam infrutíferos. Além  disso, a ideia de realizar um assalto nem lembrava a Rogério como partida de Carnaval, ou de careto; um acto precipitado, em última instância, devido à morte do velho Gonçalves. Edmundo pretendia assumir a sua menina dos olhos verdes, e provar ao seu tio que existiam dentro da imagem luzentes rubis e esmeraldas. O tio sempre lhe respondeu que trouxesse provas, que não iria abrir a imagem a meio para tirar o ougo, se bem que sentia com o tacto que a Santa era oca, mas crendo sempre que no interior apenas existiria caruncho. Agora que morrera, o segredo estalava com amargura na boca dos dois amigos. Pretextar o assalto ao santuário era o mesmo que desenterrar o velho sacristão. Mas Edmundo estava decidido a limpar as águas e enriquecer com o lendário tesouro. Rogério pensou no caso mas, na  altura, não tinha uma resposta consistente, mesmo sabendo que no Porto, onde Edmundo vivia e trabalhava, encontraria maneira de vender as pedras medievais. Seria rico, ou um homem abastado, e escolheria uma vida melhor que o fastio dos seus dias. Não tiveram mais tempo, a conversa terminou e o ponto final ficaria para o outro dia.

SCREEN SHOT por A.A.M.

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)




Melancolica, dramática. Neste filme, Miranda July, realiza e interpreta uma visão do seu imaginário com suporte na rotina, no comum e essência de um relacionamento. Esta é a base que é posta à prova quando decidem adotar um gato, sendo o casal representado por ela e Hamish Linklater. Entre as suas práticas como artista, Miranda July traz para a cena o conceito realidade versus ficção que tão bem caracterizam o seu trabalho. A monotonia da ação é tão bela como o seu desenlace. É sem dúvida um exercício de estilo visual.



terça-feira, 21 de outubro de 2014