Com uma vasta e diversa filmografia, Jim Jarmusch, conhecido pela sua excentricidade de pensamento, regressa com um twist a um tema muito batido nos últimos anos: Vampiros. E isto seria o suficiente para afugentar todos aqueles que não se relacionam com este estilo não fosse a suspeita que este realizador com qualquer tema, mesmo com café e cigarros ("Coffee and Cigarettes" 2003) consegue algo de extraordinário. “Only Lovers Left Alive” retrata o sentimento melancólico e de depressão de quem tem vida eterna, na pele de um compositor de música que se desencontrou com a sua musa. Entre os prémios atribuídos ao filme e realizador, de destacar, como não poderia deixar de ser, o de melhor duo: TomHiddleston e Tilda Swinton.
Pomar de Letras é uma colaboração de diversos amigos, em formato "zine". Tem por objectivo encontrar um espaço no nosso meio cultural e divulgar a obra e propostas dos seus colaboradores nas mais variadas expressões. Conta por isso com o apoio e a colaboração de todos. Partilha connosco a tua arte, contacta-nos através da conta de correio electrónico pomardeletras@gmail.com, para que juntos, possamos florescer e ser frutos desta pequena (r)evolução.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Livros que nos devoram por Luísa Félix
Uma Agulha no Palheiro / À Espera no Centeio
Bastou a J.
D. Salinger criar, na década de cinquenta do século passado, uma personagem como Holden Caulfield para que uma das suas obras se tornasse uma das mais
lidas por várias gerações de adolescentes.
A obra, que
integrou, durante alguns anos, o programa da disciplina de Inglês do 12.º ano,
não foi apenas lida, como inspirou músicos (para exemplo, refira-se a
existência de uma banda com o nome do protagonista), filmes (em Teoria da Conspiração, a personagem
interpretada por Mel Gibson é de tal forma obcecada pelo livro que não resiste
a comprar um exemplar sempre que tem oportunidade) ou assassinos (Mark Chapman,
o homem que matou John Lennon, em 8 de Dezembro de 1980, fazia-se acompanhar de
um exemplar de The Catcher in the Rye).
Holden, um
jovem de dezassete anos, é, simultaneamente, o narrador e protagonista do
romance cujo título, em Portugal, foi traduzido, nas primeiras edições (Livros
do Brasil), como Uma Agulha no Palheiro
e, mais recentemente, como À Espera no
Centeio.
A acção da
obra decorre sobretudo em Nova Iorque, antes do início das férias de Natal.
Holden Caulfield, que pertence a uma família de classe média-alta, fica a saber
que será expulso de mais um colégio. Depois de uma conversa com o professor de
História, o único que verdadeiramente admira e respeita, decide, sem que os pais
saibam, antecipar a ida para Nova Iorque, onde vagueia durante três dias.
Holden
avisa-nos, logo na primeira página, que tenciona contar-nos os acontecimentos
que o conduziram à casa de saúde, que supomos ser um hospital psiquiátrico,
onde se encontra quando inicia o relato. No seu “diálogo” com o leitor, o
jovem, num registo marcadamente coloquial, em que abunda o calão, conta não só
os incidentes imediatos à sua partida para a “big apple”, como dá conta das
reflexões que personagens com as quais se cruzou e situações que presenciou
suscitaram. Fala também do irmão que lhe foi roubado pela doença e que continua
a admirar, do irmão mais velho que, segundo ele, desperdiça talento e se
“prostitui”, escrevendo guiões para Hollywood, dos pais, por quem sente algum
desprezo, e da ternura que o liga à irmã. É, aliás, numa incursão nocturna e
furtiva a casa dos pais, que Phoebe, a irmã de seis anos, o confronta com a sua
imaturidade e com as suas indecisões sobre o seu futuro profissional.
Holden
cativa, não só pela irreverência, como pelo sentido de humor e por uma certa
fragilidade que desperta talvez em nós um certo instinto protector.
Para
quem se sente à vontade com o inglês, aconselha-se a leitura no original, visto
que certas expressões perdem o seu sentido pleno quando traduzidas. Tal não
invalida que os menos “corajosos” não possam lê-la em português e desfrutar de bons
momentos de leitura. Fica o conselho.segunda-feira, 27 de outubro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
Undenied Pleasures por Nuno Baptista
Daughter são um trio Londrino de "Indie Folk" composto por Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella. If You Leave, lançado em 2013, é o seu álbum de estreia. No período entre 2010 e 2012 lançaram dois EP´s, de onde saíram músicas para séries Britânicas. A editora é a 4AD, o que por si já é revelador, a produção está a cargo de Igor Haefeli e Rodhaidh McDonald, entenda-se "The XX", as misturas feitas por Ken Thomas, entenda-se "Sigur Rós" e "M83". Os temas das letras oscilam entre os pensamentos de Elena, a busca pela catarse e o apelo universal. Musicalmente a banda consegue uma harmonia extraordinária entre a voz, a guitarra e a secção rítmica. "If You Leave" é um trabalho ambicioso com letras maduras e embora os temas possam ser pesados, por vezes, não há dúvida que o futuro desta banda é brilhante.
Fiquem com o single "Still".
sábado, 25 de outubro de 2014
Crime Entre Amigos por Paulo Seara
(Se perdeste, na semana passada, a estreia de Crime Entre Amigos, podes ler aqui o capítulo primeiro.)
Capítulo II – 2 de Novembro
Rogério deixou-se
ficar atrás de um renque de arbustos despidos, o nevoeiro começava a entrar no
campo quando apareceu Edmundo, que se dirigiu para o abrigo nu e improvisado. A
conversa que o trouxe foi posta ali cruamente, os factos, por mais bizarros que parecessem, não os
iludiam, existiria algum fundo de verdade? Rogério pensou tratar-se de um
embuste, toda aquela história que o velho Gonçalves, tio-avô de Edmundo, contara em criança poderia ser uma fantasia ou, no
misto de verdade e mito, a tal imagem da santa da aldeia poderia ser mesmo única e valeria a pena consumar um crime? Edmundo insistiu durante minutos, decompôs o caso, taxativo, garantindo-lhe,
uma aparente veracidade do conto porque tinha provas – mostrou-lhe umas fotocópias de uma pesquisa que fez acerca de
um Conde Castelhano, que escondeu dentro da imagem da Santa, que mandara
fabricar, algumas preciosidades que saqueou durante uma incursão à Andaluzia.
Mais tarde a imagem foi trazida para Portugal num dote, já depois da morte do
cavaleiro cruzado, e acabou,
desconhecidamente, na igreja da sua aldeia, que pertencera a uma ordem
religiosa por testamento ou doação.
A história
abria vapores rubros num cérebro fervilhante de imaginação. Rogério, muito desconfiado,
concordou que havia uma possibilidade de tudo ser verdade, mas umas linhas escritas num papel não valem muito quando não
existem imagens, toda a pesquisa poderia ser uma fraude, e os esforços de Edmundo que pesquisara anafadamente seriam infrutíferos. Além disso, a ideia de realizar um assalto nem
lembrava a Rogério como partida de Carnaval, ou de careto; um acto precipitado, em última instância, devido à morte do
velho Gonçalves. Edmundo pretendia assumir a sua menina dos olhos verdes, e provar ao
seu tio que existiam dentro da imagem luzentes rubis e esmeraldas. O tio sempre
lhe respondeu que trouxesse provas, que não iria abrir a imagem a meio para
tirar o ougo, se bem que sentia com o tacto que a Santa era oca, mas crendo
sempre que no interior apenas existiria caruncho. Agora que morrera, o segredo
estalava com amargura na boca dos dois amigos. Pretextar o assalto ao santuário
era o mesmo que desenterrar o velho sacristão. Mas Edmundo estava decidido a limpar as águas e
enriquecer com o lendário tesouro. Rogério pensou no caso mas, na altura, não tinha uma resposta consistente, mesmo sabendo que no Porto, onde Edmundo vivia e trabalhava, encontraria maneira de vender as pedras medievais.
Seria rico, ou um homem abastado, e escolheria uma vida melhor que o fastio dos seus dias. Não tiveram mais tempo, a
conversa terminou e o ponto final ficaria para o outro dia.
SCREEN SHOT por A.A.M.
(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)
Melancolica, dramática. Neste
filme, Miranda July, realiza e interpreta uma visão do seu imaginário com
suporte na rotina, no comum e essência de um relacionamento. Esta é a base que
é posta à prova quando decidem adotar um gato, sendo o casal representado por
ela e Hamish Linklater. Entre as suas práticas como artista, Miranda July traz
para a cena o conceito realidade versus
ficção que tão bem caracterizam o seu trabalho. A monotonia da ação é tão bela
como o seu desenlace. É sem dúvida um exercício de estilo visual.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Ditados Impopulares
"Um provérbio que nos fala do tempo que passa, como diria o poeta."
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