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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Benoît Pioulard, de nome verdadeiro Thomas Meluch, que tem mantido uma consistência artística ao longo da carreira, lançou dia quatro de Março do ano passado o seu quarto álbum, de nome "Hymal". Para este trabalho, Thomas, afirma que os anos em que viveu na Europa lhe deram uma inspiração, que o próprio não esperava, nas Catedrais que visitou e em todo o ambiente religioso, considerando este álbum como um trajecto de fé e sentido de pertença numa existência que se baseia em rituais, tradições e noções de eternidade. Temos presente a "Electrónica", o "Ambiente" e o "Folk" que o caracteriza, como podemos confirmar no single fortíssimo "Margin".



Crime Entre Amigos por Paulo Seara

(Se perdeste, algum dos capítulos anteriores de Crime Entre Amigos, podes ler aqui o capítulo primeiro e aqui o capítulo segundo.)



Capítulo III – 3 de Novembro



Rogério andou às voltas com a ideia, era uma tentação que lhe cantava na cabeça, e decidiu-se a participar. A caminho para o campo agitava as mãos dentro dos bolsos do casaco,  friccionando a sua emoção, uma excitação de premeditado criminoso com um sorriso nos  lábios. Edmundo haveria de gostar da decisão. A ideia tinha partido dele, e ele haveria de trocar as jóias da melhor maneira. Mas interrogava-se quanto à maneira de roubar a capelinha,  roíam-lhe uma série de dúvidas que esperava dissipar com o organizador de toda aquela trama.
Não demorou. Assim que se observaram mutuamente, reagiram alegremente, já sentindo o faro do tesouro que os esperava. Iam até ao fim, e por amizade e segurança juraram ter o máximo de secretismo. Primeiro, antes de lançar a rede à sacra imagem, tinham de estudar o local, para não se exporem, planearam o assalto para uma noite no fim do mês. A 30 de Novembro entrariam, fosse como fosse, no templo e, com os segundos contados, levariam a imagem para longe, onde na segurança do silêncio retirariam o cromático conteúdo. Quanto à imagem, pensariam mais tarde no  que  lhe  fazer. O importante era o conteúdo. A conversa demorou toda a tarde, os passos de cada um pertenciam a um futuro que já pertencia ao presente da conversa. Não existia nada mais fácil de realizar!? Para disfarçar o roubo inventaram o estratagema de uma viagem a um certame de  caça na cidade,  de certo  teriam de lá passar, disfarçando o seu traço criminoso. E, com o plano decorado, tratariam agora de arranjar uns pés de cabra, dois fatos de macaco e duas lanternas…
Faltava ainda reconhecer o local, memorizar os carreiros entre as murtas e urzes, as aflorações de pedras, os pontos mais perigosos, sem  esquecer a iluminação do recinto e a resistência das portas. Foi sobretudo este último ponto que os levou a usarem uma machada, para além de um pé de cabra.
Sentia-se depois da longa maquinação um ar pesado e o olhar espesso; faltava-lhes o ar de 30 de Novembro, respirariam fundo antes de arrepiar caminho. Depois da hora do lobo, refastelariam com o saque. Esperavam estupefactos que toda a história fosse verdade, mas, apesar da desconfiança cofiada nas caras, sentiam o ar da aventura e os relâmpagos do medo que faziam subir os baixos escrúpulos.
A Pomar de Letras pede imensa desculpa pelo atraso nas publicações deste fim-de-semana, por motivos de ausência, não foi possível actualizar as rubricas nas datas previstas. Contudo, estamos de volta e prontos para manter a cousa a fluir. ;)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SCREEN SHOT por A.A.M.

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)







Com uma vasta e diversa filmografia, Jim Jarmusch, conhecido pela sua excentricidade de pensamento, regressa com um twist a um tema muito batido nos últimos anos: Vampiros. E isto seria o suficiente para afugentar todos aqueles que não se relacionam com este estilo não fosse a suspeita que este realizador com qualquer tema, mesmo com café e cigarros ("Coffee and Cigarettes" 2003) consegue algo de extraordinário. “Only Lovers Left Alive” retrata o sentimento melancólico e de depressão de quem tem vida eterna, na pele de um compositor de música que se desencontrou com a sua musa. Entre os prémios atribuídos ao filme e realizador, de destacar, como não poderia deixar de ser, o de melhor duo: TomHiddleston e Tilda Swinton.




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Livros que nos devoram por Luísa Félix

Uma Agulha no Palheiro / À Espera no Centeio


Bastou a J. D. Salinger criar, na década de cinquenta do século passado, uma personagem como Holden Caulfield para que uma das suas obras se tornasse uma das mais lidas por várias gerações de adolescentes.

A obra, que integrou, durante alguns anos, o programa da disciplina de Inglês do 12.º ano, não foi apenas lida, como inspirou músicos (para exemplo, refira-se a existência de uma banda com o nome do protagonista), filmes (em Teoria da Conspiração, a personagem interpretada por Mel Gibson é de tal forma obcecada pelo livro que não resiste a comprar um exemplar sempre que tem oportunidade) ou assassinos (Mark Chapman, o homem que matou John Lennon, em 8 de Dezembro de 1980, fazia-se acompanhar de um exemplar de The Catcher in the Rye).
Holden, um jovem de dezassete anos, é, simultaneamente, o narrador e protagonista do romance cujo título, em Portugal, foi traduzido, nas primeiras edições (Livros do Brasil), como Uma Agulha no Palheiro e, mais recentemente, como À Espera no Centeio.
A acção da obra decorre sobretudo em Nova Iorque, antes do início das férias de Natal. Holden Caulfield, que pertence a uma família de classe média-alta, fica a saber que será expulso de mais um colégio. Depois de uma conversa com o professor de História, o único que verdadeiramente admira e respeita, decide, sem que os pais saibam, antecipar a ida para Nova Iorque, onde vagueia durante três dias.
Holden avisa-nos, logo na primeira página, que tenciona contar-nos os acontecimentos que o conduziram à casa de saúde, que supomos ser um hospital psiquiátrico, onde se encontra quando inicia o relato. No seu “diálogo” com o leitor, o jovem, num registo marcadamente coloquial, em que abunda o calão, conta não só os incidentes imediatos à sua partida para a “big apple”, como dá conta das reflexões que personagens com as quais se cruzou e situações que presenciou suscitaram. Fala também do irmão que lhe foi roubado pela doença e que continua a admirar, do irmão mais velho que, segundo ele, desperdiça talento e se “prostitui”, escrevendo guiões para Hollywood, dos pais, por quem sente algum desprezo, e da ternura que o liga à irmã. É, aliás, numa incursão nocturna e furtiva a casa dos pais, que Phoebe, a irmã de seis anos, o confronta com a sua imaturidade e com as suas indecisões sobre o seu futuro profissional.
Holden cativa, não só pela irreverência, como pelo sentido de humor e por uma certa fragilidade que desperta talvez em nós um certo instinto protector.
Para quem se sente à vontade com o inglês, aconselha-se a leitura no original, visto que certas expressões perdem o seu sentido pleno quando traduzidas. Tal não invalida que os menos “corajosos” não possam lê-la em português e desfrutar de bons momentos de leitura. Fica o conselho.


domingo, 26 de outubro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Daughter são um trio Londrino de "Indie Folk" composto por Elena Tonra, Igor Haefeli e Remi Aguilella. If You Leave, lançado em 2013, é o seu álbum de estreia. No período entre 2010 e 2012 lançaram dois EP´s, de onde saíram músicas para séries Britânicas. A editora é a 4AD, o que por si já é revelador, a produção está a cargo de Igor Haefeli e Rodhaidh McDonald, entenda-se "The XX", as misturas feitas por Ken Thomas, entenda-se "Sigur Rós" e "M83". Os temas das letras oscilam entre os pensamentos de Elena, a busca pela catarse e o apelo universal. Musicalmente a banda consegue uma harmonia extraordinária entre a voz, a guitarra e a secção rítmica. "If You Leave" é um trabalho ambicioso com letras maduras e embora os temas possam ser pesados, por vezes, não há dúvida que o futuro desta banda é brilhante.
Fiquem com o single "Still".