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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Poesia de primeira, à Segunda-Feira

Devaneios


Recusas o teu nome, não podes escrever, nem estar deformado... As estrelas tornam-te tímido com a lágrima contornando a tua face, sentes-te cansado de conhecer a parede àspera... não podes ser alguém que não tu pelos teus olhos, não podes esperar a Primavera, nem o poder do seu título... levantas a mão para alcançar o sonho superficial que paira na tua respiração, não aguentas estar apenas contigo, o horizonte torna-se longo e preenchido pela sombra que se estende até aos teus pés... cansado de venerar, viras costas e vês a estrela da tua glória esquecida em tua memória... que glória?!


Poema/Prosa de Nuno Baptista, retirado do livro Compêndio do Cubo de Gelo.

domingo, 16 de novembro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Kid Koala achou boa ideia juntar Dan The Automator e Emily Wells no mesmo projecto, tenho de concordar. Contando, ainda, com a colaboração do artista David Choe, diria que Pillowfight é uma banda para ouvir à noitinha entre conversas animadas, uma vez que temos uma mistura de "Downtempo" com as atmosferas mais envolventes do "Trip-hop". A voz de Emily Wells encaixa que é uma maravilha num jogo de sedução com o ouvinte, as letras embarcam em relações, afecto e obsessão. Saído em 2013, Pillowfight, álbum homónimo, mantém uma presença forte e a junção entre estes dois artistas funciona, como o Kid Koala previa.

Fiquem com a "Rain".




sábado, 15 de novembro de 2014

Crime Entre Amigos por Paulo Seara

(Se perdeste, algum dos capítulos anteriores de Crime Entre Amigos, ou se os quiseres reler, carrega nas ligações para veres o capítulo respectivo.)

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV


Capítulo V – 10 de Dezembro



Rogério já tinha um plano, como o velho Gonçalves morrera devia agarrar a oportunidade de ficar com a vaga de sacristão. Ter acesso à capelinha não seria mais um problema, e o cargo garantir-lhe-ia a descrição que precisava. Edmundo gostou da ideia, era maldosa, a recôndita mentalidade das pessoas nunca admitiria pensar num sacristão que roubasse uma imagem, muito embora os sacristães tivessem fama de recolher os fundos das esmolas. Era necessário convencer o padre, e a paróquia teria um novo, e bem novo serviçal de Deus. A mulher é que não gostou da ideia. Ela achava-o doido, ele que desde a entrada no serviço militar nunca conhecera o interior de uma igreja, até ao dia do casamento. De onde lhe vinha aquele manancial de religiosidade? Tinha estado com gripe, mas não estivera às portas da morte. Que estranha redenção! Pensar em ser sacristão, substituir o velho Gonçalves acossado pelo catarro e pela coluna moída.

Disse-lhe que era seu dever, perpetuaria a tradição familiar que um tio-avô deixara sem continuadores, trinta anos atrás, ainda ele não tinha nascido.

Não obstante as picardias, as interrogações, as cadeias que a jovem mulher lhe fabricou, este seguiu em frente, não temendo o figurão entre os amigos. Doido obstinou-se repetidamente até que se foi “reconciliar com Deus” na pessoa do padre Silva. Mais uma vez, na tal véspera da reconciliação, Joana lhe implorou, para que pensasse na chacota de que seria alvo no emprego, na cidade, e como a família o estranharia, esbugalhada, com aquela “reconciliação”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SCREEN SHOT por A.A.M.

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Moon [Moon - O Outro lado da Lua] (2009) Duncan Jones


Escrito em parte e dirigido por Duncan Jones, Moon - O Outro lado da Lua, trata o final da jornada individual de 3 anos de um astronauta, Sam Bell representado por Sam Rockwell, que é responsável por uma mina com base na lua. A acção decorre no ano de 2035 quando após uma crise energética, com a escassez de petróleo no planeta, uma empresa constrói e monopoliza a extracção desta nova fonte de energia à base de hélio. Muito aclamado pela comunidade cientifica e pelo publico em geral, destacam-se o reconhecimento como melhor filme independente em 2009 e um prémio BAFTA.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Animagem

Animagem é uma rubrica biebdomadária (irra! que palavrão!) em que partilharemos algumas metragens de animação. Out of Sight [Sem Vista (tradução livre)] - uma curta apresentada como projecto de graduação de três alunos da Universidade Nacional de Artes de Taywan -  é o filme debutante desta nossa nova rubrica, boas visualizações.


bi·eb·do·ma·dá·ri·o
adjectivo
1. Que se publica ou realiza duas vezes por semana.
2. Bissemanal.

"biebdomadário", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/biebdomad%C3%A1rio [consultado em 12-11-2014].
bi·eb·do·ma·dá·ri·o
adjectivo
1. Que se publica ou realiza duas vezes por semana.
2. Bissemanal.

"biebdomadário", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/biebdomad%C3%A1rio [consultado em 12-11-2014].
bi·eb·do·ma·dá·ri·o
adjectivo
1. Que se publica ou realiza duas vezes por semana.
2. Bissemanal.

"biebdomadário", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/biebdomad%C3%A1rio [consultado em 12-11-2014].

"biebdomadário", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://priberam.pt/dlpo/biebdomad%C3%A1rio [consu

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Poesia de primeira, à Segunda-Feira

Juventude no Sainsburys

(Em Edimburgo)


Juventude que saíste à rua com todas as profissões
São oito horas, nada tens e ficas incendiada a pensar no jantar.
A pasta fresca e os molhos abraçam o leite de uma libra
No saco laranja de um pôr-do-sol na fina película do dia

Como era ontem, agora e sempre na suturação da candura laboral
Esta juventude de cientistas vai para os quartos níveos
Aumentam os níveis de ansiedade sob o olhar atento da Igreja de Tron
E as inquietações carambolam policiadas pelos amigos distantes.

Juventude de todas as conclusões das mais curtas às longas
Não conheceste o tear, e a roda, e as palavras dos subordinados dos teus pais
Juventude de países de primeiro mundo alimentando o carbono dos mercados
Os teus exércitos populares insurgem-se para ir cantar aos jurados.

Dedica-se à palavra, não; então à rima, não;
Recria-se na mesma cultura, das mesmas andaduras
Os ciclos de verduras encarreiradas. E os cabelos ondulados
E os familiares de veludos e de trajes de luzes
Azuis de orgulho, dourados de cinismo, fazem a plateia.

Ilumina-se com este chicote, esta era de novos pobres
Sem pulso para rasgar o nevoeiro, esperando o messias num pacote de bolachas.
Contemplam a terra plantada de escravos
Com corpos de vidro.

Levaste ovos para casa, mas ficaram podres.
Não te preocupes as galinhas tratam de ti.
Eu trato de ti, sou uma fralda, amparo os teus humores,
Sou a alface no teu traje de luces.
A parra do te deum olha por vós
E vós por vós olhais.

(06.07.2014)



Paulo Seara

domingo, 9 de novembro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Ahhh Yo La Tengo... Lembro-me do concerto que vi deles na Casa da Música no Porto, que concerto...
Esta banda de culto lançou em 2013 "Fade". O álbum permite-nos apreciar a complexidade da sua simplicidade, temos um "funky groove" com corrosivos "riffs", temos traços de álbuns clássicos como o "Electr-o-Pura" no seu arrojo e depois no meio das guitarras a suavidade de um órgão... "Fade" é minucioso na sua imersão em pôr-do-sol e uma banda-sonora para a noite que vai passando.
Fiquem com a "Ohm" que atesta todas estas características descritas.