Stornoway é uma banda Britânica que faz um Indie Folk alternativo de grande qualidade. Em Março do ano passado lançaram o segundo ábum, "Tales From Terra Firma". Brian Briggs é um "songwriter" com uma sofisticação extraordinária, eloquente e detentor de uma voz cristalina. Este trabalho é descrito por Brian como uma aventura, daí a inspiração também para a capa do álbum, as letras variam entre o nascimento, o envelhecer e a morte. Afirma que a mencionada inspiração também proveio de Saint-Exupéry e o seu objectivo era atingir um contraste entre a aventura e drama. A melodia é evidente e convidativa, como podemos comprovar com o single "Knock Me On The Head".
Pomar de Letras é uma colaboração de diversos amigos, em formato "zine". Tem por objectivo encontrar um espaço no nosso meio cultural e divulgar a obra e propostas dos seus colaboradores nas mais variadas expressões. Conta por isso com o apoio e a colaboração de todos. Partilha connosco a tua arte, contacta-nos através da conta de correio electrónico pomardeletras@gmail.com, para que juntos, possamos florescer e ser frutos desta pequena (r)evolução.
domingo, 30 de novembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Crime Entre Amigos por Paulo Seara
(Se perdeste, algum dos capítulos anteriores de Crime Entre Amigos, ou se os quiseres reler, carrega nas ligações para veres o capítulo respectivo.)
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII – 24 e 25 de Dezembro
Nove dias, e o sacrifício de fazer de aparador junto ao altar. As celebrações do Natal cumpridas com tremuras, e a angústia de ganhar, com o passar dos dias, a confiança do clérigo, em especial nos momentos em que recebia as instruções na casa paroquial. Quase paralisou durante as cerimónias do Natal. Pés de pedra e boca muda, Rogério parecia um boneco. De todas as vezes que foi solicitado um torpor invadiu-o, a letargia obrigava-o a respirar fundo, e, quando saía da Igreja questionava-se, porque se fora ele meter naquele buraco.
Desde a tentativa de assalto nenhuma boca se abriu, e o silêncio incomodava-o. O facto de ter extraviado a machada e ninguém a ter encontrado concentrava-o num único ponto, a sua jogada de se tornar sacristão era uma perda de tempo em absoluto; ainda que fosse somente para construir um álibi e conseguir as chaves do templo.
Foram os piores dias de toda aquela aventura, e só encontrou consolo mentindo à mulher, acentuando que realizava uma tarefa com grandes responsabilidades e que se sentia observado comiseradamente pela população. Mas foi sobretudo Edmundo, que entendia o desespero, e para o qual receitava uma dose santa de paciência, que o confortou dizendo-lhe que zelasse por arranjar as chaves da capelinha antes de 25 de Janeiro. No Porto já tinha tudo combinado com um negociante que receptaria o saque.
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
SCREEN SHOT por A.A.M.
(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)
Pina (2011) Wim Wenders
Pina (2011) Wim Wenders
“Dance, dance otherwise we are lost”(1). A célebre frase de Pina Bausch serve de tema a Wim Wenders que realiza este filme documental/experimental. Assombrado pela morte da célebre dançarina em 2009, esteve para não ser concluído mas devido a colaboradores e colegas da artista, o realizador foi convencido a terminá-lo, resultando numa obra prima amplamente aclamada. Em Pina, surgem estudos de imagem, som e espaço que marcaram grande parte do trabalho da coreografa de Pina e são representados por Wim Wenders de uma forma única, num complexo trabalho de estética e construção de imagem conceptual. Mais que um filme, uma experiência.
(1) "Dançai, dançai ou estaremos perdidos." (tradução livre do editor)
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
"Barulhos Nosos"
No próximo Sábado, 29 de Novembro, pelas 21:40, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros a Companhia de Dança do Norte North Dance Company apresenta a pré-estreia de "Barulhos Nosos", "uma obra inspirada em ícones Galaico-Portugueses (Norte de Portugal e Galiza), Pauliteiros / Caretos / Danças Tradicionais / Gaita de Foles."
" 'Barulhos Nosos' é um espetáculo de dança contemporânea inspirado nas raízes e tradições Galaico-Portuguesas. “Barulhos Nosos” pretende refletir elementos naturais das terras de um condado que ao longo dos tempos expandiram experiências e culturas animadas pela magia da vida de um povo. Respeitando a silhueta da diversidade e solidariedade que se exprime na harmonia rítmica destes valores, pretendemos que este momento coreográfico reforce a sua importância no presente.
Dado o poder da Globalização exercido nos dias de hoje, onde a partilha económica tende a ocultar, patrimónios, diferenças e características representativas de cada povo e região, é nosso objectivo fazer saltar aqueles ícones para o mundo contemporâneo, contribuindo assim para a sua divulgação e interiorização em mentes agarradas ao conhecimento presente."
" 'Barulhos Nosos' é um espetáculo de dança contemporânea inspirado nas raízes e tradições Galaico-Portuguesas. “Barulhos Nosos” pretende refletir elementos naturais das terras de um condado que ao longo dos tempos expandiram experiências e culturas animadas pela magia da vida de um povo. Respeitando a silhueta da diversidade e solidariedade que se exprime na harmonia rítmica destes valores, pretendemos que este momento coreográfico reforce a sua importância no presente.
Dado o poder da Globalização exercido nos dias de hoje, onde a partilha económica tende a ocultar, patrimónios, diferenças e características representativas de cada povo e região, é nosso objectivo fazer saltar aqueles ícones para o mundo contemporâneo, contribuindo assim para a sua divulgação e interiorização em mentes agarradas ao conhecimento presente."
Livros que nos devoram por Luísa Félix
A família de Pascual Duarte, de Camilo José Cela
«Yo, señor, no soy malo, aunque
no me faltarían motivos para serlo.» - assim começa a autobiografia fictícia de
Pascual Duarte, figura central da novela de Camilo José Cela, A Família de Pascual Duarte, publicada
pela primeira vez em 1942.
Com o intuito de conferir verosimilhança ao relato de
Pascual Duarte, o autor apresenta-o como um manuscrito que o protagonista teria
escrito enquanto esteve preso em Badajoz e que teria enviado, em 1937, a um
conhecido seu, para que fosse publicado, tornando, assim, públicos os motivos
dos vários crimes que cometera. Cela, em notas anteriores e posteriores ao
discurso do protagonista, faz-nos acreditar que o manuscrito teria sido
encontrado no balcão de uma farmácia na localidade de Almendralejo, pelo
próprio transcritor. Entre essas notas, encontra-se a carta em que o
prisioneiro recomendava a publicação do seu manuscrito.
Pascual Duarte, habitante numa pequena aldeia do
interior de Espanha, dá-nos conta, no seu relato, de que a vida lhe trouxe mais
dissabores do que alegrias. Testemunha de um mundo em que prevalece o trágico,
torna-se numa pessoa amarga e intempestiva, na vítima de um destino inexorável,
que o conduz à perdição. É, aliás, ao destino que ele atribui a responsabilidade
pela sequência de assassinatos que comete, que tem início com a morte da
cadela, a Chispa, e que termina com a morte da própria mãe.
Pela violência das descrições e pela crueza de
linguagem que perpassam nas suas páginas, a primeira obra de Cela viu-se, em
pleno franquismo, entre os livros proibidos e rotulada como precursora de um
estilo literário que, em Espanha, ficou conhecido como “Tremendismo”.
Camilo José Cela, que nasceu em Iria Flávia
(Corunha), em 1916, e faleceu em Madrid, em 2002, foi galardoado, em Espanha,
com o Prémio Nacional de Literatura e com o Prémio Príncipe das Astúrias. Em
1989, a academia sueca atribuiu-lhe o Prémio Nobel, pelo conjunto da sua obra.
Da sua vasta obra, destacam-se, além de A Família de Pascual Duarte, A Colmeia (1951), São Camilo (1969) e Mazurca
para Dois Mortos (1983).
A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Poesia de primeira, à Segunda-Feira
Estrela cadente
Eu só nos imagino a caminhar
Pelos campos de trigo em câmara lenta
De mãos dadas com o sol a brilhar
Sonhando com sabor da tua boca a menta
Sabes que só agora aprendi a amar
Perco-me no meio dos conceitos e teorias
Da minha limitação de querer sempre
rastejar
Apoderavam-se de mim todos os medos e
fobias
Clichês criados pelo que pensava ser o amor
Nas suas várias formas misteriosas
Difícil de entender pois causa muita dor
Frágil como um bater de asas furiosas
Uma estrela cadente que arde de saudade
Bela apesar do seu tempo limitado
Sem preocupar pois o que conta é intensidade
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