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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz dia de Natal



Um provérbio com fortes crenças teológicas na imaculada concepção, relembrando que a escolha da data natalícia não está nas mãos dos homens.



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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Poesia de primeira, à Segunda-Feira

Ódios


Odeio ódios exacerbados... tenho ódios exacerbados... levanta a tua saia de moralidade mórbida estupidificante e morde-me os lábios, engole-me... brutalidade necessária, acorda, acorda, destrói, tritura, incendeia... Parte o chão redundante e volta atrás, dá dois passos em direcção contrária e ri-te da estupidez... encosta-me à parede e diz-me: "vou foder-te", desperta-me os sentidos adormecidos... Vou dormir...


Nuno Baptista, do livro Compêndio do Cubo de Gelo

domingo, 21 de dezembro de 2014

Undenied Pleasures por Nuno Baptista



Slugabed, ou seja Greg Feldwick, explora as conotações de "Bass Music" e fá-lo com complexidade, minúcia e melodia entre os "beeps". O seu álbum de estreia, este "Time Team" (2012), aborda possibilidades ilimitadas nas deambulações de Greg, transpostas na electrónica que conota todo o trabalho. Conta com a colaboração vocal de Szjerdene que lhe dá uma profundidade vasta. Mais uma banda Ninja Tune.
Fiquem com o single "Wake Up".




sábado, 20 de dezembro de 2014

Crime Entre Amigos por Paulo Seara (Último capítulo)

(Se perdeste, algum dos capítulos anteriores de Crime Entre Amigos, ou se os quiseres reler, carrega nas ligações para veres o capítulo respectivo.)

Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
Capítulo VIII


Capítulo X – 26 de Janeiro


Encontraram-se os dois na garagem, e prepararam-se para confirmar o mito com as suas mãos. Na parte inferior da Santa uma pequena saliência deu-lhes as primeiras boas notícias. Algo insistentes, os esforços dos dois amigos, conseguiram chegar ao momento da verdade. Retiraram a tampa, e esperaram ver deslizar o conteúdo multicolor. Uma mancha cinzenta invadiu-lhes a cara e descobriram nas suas mãos uns pequenos ossos. Nada mais existia! O desespero dominou-os, ficaram brancos, apavorados, estupefactos. Nada existia! Fora tudo em vão. Tinham encontrado Juno e afinal era uma nuvem. Os ossos, sem significado, sem religiosidade material; os ossos de algum mártir ou santo de nada valiam. O embaraço foi tão grande que um grande sinal de interrogação lhes batia agudamente. Porquê? Porquê? Porquê?

Aguardaram um momento para respirar melhor, sabiam que poderiam ter feito os esforços em vão; o que aconteceu de facto.

Agora encontravam-se entalados, e só dispunham de duas soluções: colocar a Santa no templo outra vez ou vender a imagem; das duas hipóteses a segunda não era fácil de resolver, como a primeira, mas poderia render algum dinheiro. Naquele momento não se encontravam seguros de nada, mas como aquele crime tinha sido entre amigos, e permanecia em segredo absoluto; era preferível não pensar em nada, pois já lhes sobrava em muito a irritação de serem vencidos por uma lenda.

Quando a ilusão mergulha a pique, as paixões são uma glória pessoal. Os dois amigos não obtiveram glória. O fracasso habituara-os a protestar ritualmente contra as amarguras da vida. A lenda da Santa, foi como que um par de moedas encontradas à beira da estrada. Onde estão duas moedas, podem estar três moedas, e assim sucessivamente; ponto a ponto, o conto cresce. Depois de meses numa longa aventura aquele anticlímax era como que um sol a agarrar-se desesperadamente à paisagem antes da noite. Foi o fracasso das suas vidas, que os explorou até ao fim, não tinham educação para deslindar histórias da carochinha, e o seu profissionalismo criminoso era teatro do pior. A ignorância do velho sacristão transformada em ciência. Estava morto, mas tinha sido ele o criador desta paixão pelo lucro rápido.

Tinham colocado uma chouriça a assar, a gordura derretia na intimidade provincial. Rogério ciciou: - Temos de fazer algo com esta Santa. Agora vemos isto com bastante negrura, mas amanhã rir-nos-emos! Temos que fazer algo com a Santa, porque não a queimamos?

Edmundo não concordou, a Santa não deveria ser restituída, mas também não deveria ser vendida, e não podia ser queimada. De cabeça baixa e coçando a bola teve um pensamento escrupuloso. – Vamos deixar a Santinha no cemitério! Todos conhecem a história que o teu tio, ouviu, ou terá inventado. Alguém vai criar uma justificação para o aparecimento da Santa.

 Libertaram-se da ilusão como uma mosca presa no papel gomado forjando uma nova lenda, sem detalhes. Não costumavam ter ideias; mas um gosto por executar o que lhes desse prazer. Uma fina camada de sarcasmo evitou que caíssem no desespero. Se lhe soprassem revelaria os fantasmas, se lhe tocassem ficaríamos contaminados.


27 De Fevereiro de 2005

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SCREEN SHOT por A.A.M.

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)





Esta semana a sugestão recai, inevitavelmente, sobre uma estreia. Não só por ser muito aguardada pelos seus fãs mas também por trazer conclusão à triologia, ainda que deixe um elemento de abertura. É elemento de ligação com os restantes capítulos da saga dos livros de Tolkien, adaptados ao cinema pela visão de Peter Jackson, onde é travada a derradeira batalha por Bilbo e seus companheiros na defesa contra Smaug. Uma luta que por ser desproporcional se espera ser épica e intensa quer ao nível de emoções quer em termos de perspetiva visual. Anseia-se que colmate as expectativas criadas ao longo de meses e crê-se que assim será.



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ditados Impopulares


"Um provérbio de olho atento nos clones, bugs, vírus e outras coisas que vêm à rede."


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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Poesia de primeira, à Segunda-Feira

Neste sono profundo em que me deito
Há um olho em permanente vigília
Segredando credos numa homilia
Da torre erguida ao centro do meu peito;
Irís sorvendo a luz de cada dia
Para na noite escura ver seu efeito.

Nesta vigília ausente de sono
Há sempre um olho muito bem fechado
Cá dentro para não ser deslumbrado
Por tanta luz plástica ao abandono;
E assim entre o entreaberto e o velado
Tenho em cada olho do outro o seu abono.

E nem sequer procuro bem saber
Se melhor vejo com este, bem aberto,
Ou com o que nunca está bem desperto;
Pois só com um deles não posso ver
Tanto o que a sombra tapa aqui bem perto
Como o que a luz de longe vem trazer.


Hugo Carabineiro