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segunda-feira, 30 de março de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#13/2015)

Dedicado a Adolfo Luxúria Canibal.


Tens tudo a perder, nada a ganhar. Tens tudo para ganhar,
nada para perder. Tens de viver e morrer, destroçado, abandonado.
Entregue a ti, ao destino, ou extraviado pelo caminho. Tens de perder e
encontrar, a ti e a outros, ser encontrado e violado. Aprender e ensinar.
Deves ganhar e odiar, assim saibas amar, prezar a entropia, e dela
nascer em harmonia, melodia e palavras.

Deixa-me a minha solidão, a minha morte, possa eu
devolver equilíbrio à minha alma e arrastar o teu cadáver, para junto das carcaças nefastas
de poetas e sonhos. Deves mutilar-te e alimentar os que sofrem,
sofrer até morrer
e manter o silêncio da multidão atónita pela sede de sangue
e afónica pela histeria da morte. Tens de jurar segredo
à nossa existência e calar as bocas que choram com fome de guerra.
Liga a televisão e em directo
controla as mentes remotas dos contribuintes. Depois morre depressa e salva-me
da loucura.

Sinto que só a esquizofrenia, não pode mais aguentar-nos a sobriedade,
nas sórdidas ilusões desta realidade podre.


Rogério Paulo E. Martins

domingo, 29 de março de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#13/2015)



Os Suede voltaram à criação em 2013. A banda que nos trouxe "The Next Life", Pantomime Horse", ou "Sleeping Pills" descreveu "Bloodsports" como um cruzamento entre o "Dog Man Star" e "Coming Up", os temas variam entre a luxúria, a procura e, como Brett Anderson disse, o "prazer carnal do jogo do amor". Ainda sobre ""Bloodsports", afirmou que foi o trabalho mais difícil que fez, mas de longe o mais satisfatório. A primeira música que a banda disponibilizou deste álbum foi esta "Barriers" que aqui partilho, apesar de não ter sido o primeiro single.


sábado, 28 de março de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins (#06/2015)

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (independentemente do seu comprimento). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.


Não sei como caí. Sei que foi sem dor e violentamente, olhei para o lado e vi que elas me olhavam, mas fora a violência do impacto que lhes atraíra o olhar, não o salto ou o voo esplendoroso, como fora meu desejo. Vendo-me no chão, viraram a cara e seguiram. Foi, deveras, o melhor que poderiam ter-me feito, quando me levantei senti uma dor tão violenta no pé que logo caí por terra, quase desfalecendo. Lembrei-me do João Viera Pinto que, poucos dias antes ao serviço do Benfica, tivera uma lesão num joelho, fruto também duma queda aparatosa, em circunstâncias, totalmente, opostas. Porém, também este se levantara antes de constatar a seriedade da lesão e só a força exercida sobre a perna, após se levantar o prostrou por terra, como a mim. A inocência da meninice é algo extremamente maravilhoso, no auge daquela dor que me derrubara, e apesar de afectado por o que foi, muito provavelmente, o meu primeiro desalento “amoroso”, sentia-me enorme, pois eu era igual ao João Pinto.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O Jardim dos Enganos

Amanhã, Sábado 28, a livraria Traga-Mundos, em Vila Real, apresenta o livro de estreia do macedense João Pedro Baptista, O Jardim dos Enganos. "O livro irá ser apresentado pela Prof.ª Dr.ª Elisa Maria Gomes Da Torre, Professora Auxiliar no Departamento de Letras, Artes e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro."


“Chamo-me João Pedro Baptista, tenho 22 anos, sou natural de Vale de Prados, freguesia que pertence ao concelho de Macedo de Cavaleiros no Nordeste Transmontano. Concluí a escola básica e secundária em Macedo e frequento, atualmente, o 3º ano da Licenciatura Línguas Literaturas e Culturas na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O gosto pela poesia nasceu desde cedo, tinha apenas 16 anos quando comecei a escrever poesia. É claro que a licenciatura que frequento proporcionou em mim novas motivações e conhecimentos que enriqueceram a minha forma de pensar e de escrever. Esta obra nasce do concurso organizado pela editora Poesia Fã Clube, no qual participei com poemas que, há muito, tinha organizado e acabaram por ser selecionados para a publicação sem envolver qualquer custo da minha parte.

Por último, deixo um agradecimento especial à Livraria Traga-Mundos, uma livraria de referência na região transmontana e que no decorrer da minha vida, quer pessoal quer profissional, tem sido exemplar em prestar todo o tipo de apoio.” João Baptista


O primeiro beijo é sempre o primeiro, 
O primeiro contacto, o mais companheiro 
Que permanecerá para sempre no coração 
Por inteiro, 
Repleto de amizade, carinho e paixão. 
O primeiro suspiro da alma, 
O primeiro gesto hesitante sem querer hesitar, 
A primeira troca que hesitando acalma, 
O beijo é múltiplas coisas e uma só coisa, 
O beijo é o primeiro do dicionário de amar, 
O beijo é… enfim, 
Todo o inicio sem fim,

SCREEN SHOT por A.A.M. (#13/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Clássico: THX1138 (1971)
Realização: GeorgeLucas


O primeiro filme escrito e realizado por GeorgeLucas foi também o mais incompreendido e menos aceite na altura em que foi lançado, início do ano de 1971. Veio a torna-se posteriormente um filme de culto no circuito alternativo dado o sucesso que adveio com os seus filmes posteriores. No entanto, é em THX1138 que reside a grande genialidade deste realizador. Baseado numa curta-metragem que anos antes tinha feito, criou um dos filmes mais impactantes que veio influenciar as gerações seguintes e inspirar outros realizadores que se basearam na essência deste filme. Num papel representativo extraordinário, o jovem Robert Duvall é THX 1138, número de série pelo qual as pessoas são identificadas. Trabalha num sistema corporativo fabril unicamente destinado à produção em massa. Todas as pessoas são medicadas por forma a não expressarem as suas emoções e não terem capacidade afetiva com outras pessoas. Vivem em quartos com parceiros atribuídos aleatoriamente. Algo muda quando LUH 3417, a sua parceira, deixa de tomar a medicação e substitui a dele começando a despoletar o renascer das emoções. Esteticamente impar naquilo que se refere ao planeamento de imagem, construção de cenário e desenvolvimento de conceito. Um filme que não deixa ninguém indiferente. Uma obra prima.


quarta-feira, 25 de março de 2015

Livros que nos devoram por Luísa Félix (#03/2015)

Poesia espanhola, anos 90


Quando nos pedem para falar sobre livros, ocorre-nos, de imediato, um qualquer título de ficção em prosa, por norma um romance, uma colectânea de contos ou uma novela. Talvez pelo facto de sermos todos, sem excepção, narradores de pequenas ou grandes histórias, protagonizadas por nós ou por outros, ainda que muitos sejamos leitores de outros géneros, como o ensaio ou a poesia. Fugindo um pouco à regra, hoje apraz-me discorrer, ainda que brevemente e numa atitude de leigo, sobre uma antologia poética de autores do país vizinho, de que tive conhecimento e adquiri recentemente e de que tenho vindo a desfrutar aos poucos, como aos poucos devem ser degustados os alimentos cujos sabores nos são menos familiares, mas que nos agradam.

Poesia Espanhola, anos 90 é uma edição bilingue, em castelhano e português, organizada e traduzida por Joaquim Manuel Magalhães, publicada em 2000, pela editora Relógio d’ Água. Presidiram à selecção dos autores e dos textos critérios como as preferências do próprio compilador e o facto de todos os poetas terem começado a publicar em livro nos anos noventa.

Integram esta antologia, que se articula com o volume II de Poesia espanhola de agora (Relógio d’ Água, 1997), trinta autores, nascidos entre 1964 e 1975. É, aliás, por ordem de nascimento que os poetas nos são dados a conhecer, tendo Joaquim Magalhães a preocupação de fazer preceder a cada conjunto de textos uma breve nota biográfica do autor.

Os versos insertos nesta compilação nascem da observação de aparentes minudências quotidianas, de rostos ou de gestos alheios, nascem do medo, do amor, da ausência, da dor, da solidão; outros de actos de introspecção ou da relação do “eu” lírico com os outros, com os objetos, com as suas dúvidas ou com o seu corpo. Há-os que parecem ser a expressão de uma espécie de primitivismo alojado no subconsciente individual ou colectivo e que emerge por uma certa permissividade inerente à linguagem e ao universo poéticos. 

A linguagem e o labor poéticos ampliam os pormenores, filtram a realidade, cauterizam feridas, organizam o caos que atormenta o “eu”, iluminam o aparente prosaísmo das situações, surpreendendo-nos, chocando-nos, exorcizando, ao mesmo tempo, os nossos fantasmas, dando voz ao que não sabemos nomear.

Melhor do que escrever sobre os poetas e os seus poemas, é lê-los. 


Julgamos que a vida nos escapa e na realidade a vida é isso


Às vezes fico com a vista parada
─ por exemplo numa parede ─
durante um bom bocado. os olhos
deixam de ver por fora e o corpo
parece que não o sinto. Então
normalmente dou-me conta
(e não mo explico e espanto-me)
desta coisa estranha que é viver,
e faço-me perguntas que cortam
e o que sou concentra-se num ponto
e a única coisa que sinto é que eu
─ a voz que vive em mim e que me diz
isto e aquilo sem palavras ─
também serei menos um. Em breve.
Que tudo o que penso agora,
o que pensei e chegarei a pensar
há muito que não é nada.

[Juan Miguel López (Madrid, 1973)]


Os dias traidores


São esses que nos passam pelas mãos
com gestos quotidianos,
onde nunca acontece
nada mais senão a vida
com minúscula, quero dizer.
Os do chá com limão enquanto lá fora chove
e se fuma no café para passar a tarde,
os do regresso a casa pelas ruas do costume.
São os dias das coisas pequenas
que secretamente pactuam connosco
o peso dos anos.
Os dias traidores:
silenciosos, amáveis
são o futuro que pouco a pouco aproximam
o oculto abraço da morte
com a mesma doçura
com que os braços do amigo acolhem o meu cansaço.

[Silvia Ugidos (Oviedo, 1972)]


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

terça-feira, 24 de março de 2015

Ditados Impopulares (#06/2015)



"Um provérbio sobre a propagação dos sentimentos de um ponto de vista não economicista."

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