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domingo, 19 de abril de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#16/2015)



Tricky voltou ao seu estilo com este "False Idols". Sobre os trabalhos anteriores, entenda-se "Mixed Race" e "Knowle West Boy", disse que a sua visão estava toldada e que, actualmente, apesar de aprovar as suas composições nesses álbuns, afirma que não é o melhor que consegue fazer, assim, está de volta à fórmula que lhe deu o sucesso em 1995, faz o que quer sem olhar a opiniões, ou seja, a pinta do extraordinário "Maxinquaye" está de volta, o bom "Trip-hop" dos primórdios está de volta, que seja muito Bem-Vindo. Neste "False Idols" contou com as colaborações de Peter Silberman (The Antlers), Fifi Rong, Nneka e Francesca Belmonte.
Fiquem com "Nothing´s Changed" com a voz de Francesca Belmonte, que demonstra os bons tempos de Tricky. Tem ainda excertos da lindíssima "Makes Me Wanna Die".


sábado, 18 de abril de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins (#09/2015)

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (independentemente do seu comprimento). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.


Só quando a minha mãe chegou, sabendo de antemão que me magoara, foi procurarme e me encontrou no quarto, ainda gemendo a, em nada adormecida, dor que, me inchava o pé em triplos tamanhos e me abstraia de quaisquer outros pensamentos e razões que não a sua. Claro está que acabei nas urgências do hospital de Macedo de Cavaleiros, esperando para ser atendido. Não vou entrar em pormenores, apenas digo que cheguei e logo fui encaminhado para a sala de raio-X. Após cerca de duas horas esperando o ortopedista regressar do seu jantar, fui novamente chamado pelo enfermeiro Júlio, para ser reencaminhado para o raio-X. A radiografia anterior parecia estar defeituosa. Gracejei acerca dos meus ossos de mutante – ai a meninice… – algo que não provocou a reacção esperada na minha mãe e lá fui, ser tratado.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#16/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Interstellar
Realização: Christopher Nolan


Para o bem e para o mal, poucos serão os realizadores que conseguem obter total confiança financeira para produzirem os seus filmes sem quaisquer limitações, assim, tal e qual como os tinham projetado. Christopher Nolan é um deles. Realizador e co-autor de um argumento que nos traz uma profundidade emotiva que só ele nos consegue fazer sentir. Juntamente com o melhor que se faz em tecnologia de efeitos especiais transmite-nos um cenário extraterrestre cientificamente fundamentado com planos incríveis filmados na Islândia e Canadá entre outros locais. A complexidade do som imerge-nos completamente no desenrolar da ação sentindo cada pormenor, cada movimento, cada emoção. Nas interpretações, Matthew McConaughey e Anne Hathaway destacam-se com performances marcáveis.
Interstellar representa um futuro não muito distante, difícil para o Homem, em que a capacidade de sustentabilidade se vai esgotando e as condições de habitabilidade se deterioraram. A exploração espacial, que tinha sido interrompida para dirigir os fundos para agricultura que é sustento de toda a Humanidade, é agora vista como a única solução para garantir a continuidade da espécie, independentemente dos custos financeiros e humanos que essa opção trará. Não hoje, nem amanhã, mas um dia este dilema poderá ser nosso.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#15/2015)

Entre o ser e o não ser, um ser minúsculo


Esta sensação de clausura na infinidade do infinito
E esta nostalgia bruta do que nem sequer imagino

E a sede intacta oculta nos silêncios que não grito
de ir além das fronteiras do universo e do destino.

E este cansaço que até do repouso se magoa e cansa
E este desejo de nada ser para esquecer quanto morri

Maldito este deserto de tudo o que na solidão me alcança
e me deixa no limbo da morte e de quanto de mim esqueci.

Como a noite que amanhece nos braços da madrugada
e a tarde que desce a noite na agonia do crepúsculo

Caminho entre o desejo de tudo e o desejo de nada
E sou dos seus abismos um ser invisível

E minúsculo.


Valter Guerreiro

domingo, 12 de abril de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#15/2015)



Tive o prazer de ver Low ao vivo, em 2012, em Santa Maria da Feira, que banda meus amigos. Prestes a fazer 20 anos de existência, lançaram o álbum seguinte ao aclamado "C´mon" de 2011. "The Invisible Way" é o nome, Alan e Mimi não desapontaram, descreveram o álbum como intimista e os temas variam entre vários tipos de guerra, arqueologia e amor. Podemos contar com a voz de Mimi Parker em cinco das onze músicas que compõem o álbum.
Fiquem com o primeiro single "Just Make It Stop".


sábado, 11 de abril de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins (#08/2015)

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (independentemente do seu comprimento). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.


À hora de voltar a casa, já a minha injúria tinha atingido outro grau de dor. Como se costuma dizer, o pé tinha arrefecido. E a facilidade com que chegara ao Lua Doce, esteve longe do calvário que foi chegar a casa. Agora ajudado – apoiado – ora pela Dânia, a irmã da Marlene, ora pela Catarina, filha dos donos do supermercado, ora pela Nádia, a minha irmã. Por vezes por duas delas e pontualmente saltitando. Qualquer estremecimento no pé, ou na perna, me provocava uma dor calcinante e aguda que me derreava e fugia as forças. Foi longa, morosa e arrebatadora, quer a viagem, quer a dor, que me levaram a casa. Quando cheguei, todas as forças foram poucas para conseguir dirigir-me ao quarto em braços pelas minhas estafadas “enfermeiras”. A Fifi, a minha cadela, rejubilante de nos ver correu na nossa direcção saltitando, carente de festas e mimos. Foi nesta euforia que, já à porta do quarto, a Fifi acabou caindo sobre o meu pé – esquerdo. A dor foi tal que me soltou um urro tremendo de dor e um palavrão feio para a cadela. Deitaram-me e ajudaram-me a descalçar, novamente, uma dor agonizante me abateu e deixaram-me no quarto, gemendo de dor, procurando adormecê-la e proibindo-as de contar o que fosse aos meus pais.