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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Animagem (#09/2015)

"Dji: Death Sails" (Dji: A Morte Navegante*), conta a história de um pirata naufragado a braços com a morte...




Hoje temos uma animação extra, Dji regressa em mais uma aventura. "Dji: Death Fails" (Dji: Morte Falhada*).


 


(*Tradução livre)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Livros que nos devoram por Luísa Félix (#04/2015)

Stoner, de John Williams


«Um aluno que ocasionalmente depare com o nome poderá perguntar-se quem era William Stoner, mas poucas vezes tentará saciar a curiosidade, indo além da pergunta casual. Os colegas de Stoner, que não lhe tinham uma estima por aí além quando era vivo, raramente falam dele agora; para os mais velhos, o nome é um lembrete do fim que os espera a todos e, para os mais jovens, é um mero som que não evoca qualquer noção do passado nem qualquer sentimento de identificação quer em termos pessoais, quer em termos de carreira.»


John Edward Williams, Stoner, Publicações D. Quixote, p. 7


Não conhecia Stoner, até ao dia – há pouco mais de um mês – em que, passando por um blogue que costumo visitar, deparei com a imagem da capa, uma passagem do livro e um breve comentário da anfitriã. A minha curiosidade levou-me, de imediato, à página de uma editora que disponibiliza de quinze a vinte páginas de algumas obras, para leitura prévia. Li essas páginas e, poucos dias depois, tinha o livro comigo e a companhia algo soturna, mas longe de ser sinistra, de William Stoner, o protagonista.

Apesar de sido publicado, nos Estados Unidos, em 1965, Stoner acabou por cair no esquecimento e só recentemente ganhou popularidade, depois de ter sido traduzido para o francês por Anna Gavalda e publicado, inicialmente, em França e, de seguida, noutros países da Europa. Depressa ganhou a simpatia dos leitores e os elogios de escritores europeus de renome, como Ian McEwan ou Julian Barnes.

Stoner conta a história de William Stoner, nascido no seio de uma família humilde de agricultores, que não ambicionavam para o filho mais do que os estudos obrigatórios e um futuro na quinta. Contudo, o destino de Stoner ganha outro rumo, quando, terminada a escola obrigatória, um conselheiro rural sugere ao pai que o filho deveria candidatar-se à Escola Agrária da Universidade de Columbia. William acaba por ingressar na escola, instalando-se na quinta de uns familiares, que o acolhem com a condição de ele trabalhar para eles. Apesar de o trabalho árduo lhe deixar pouco tempo livre, Stoner conclui o primeiro ano do curso. O seu fascínio crescente pela cadeira de literatura leva-o, no início do segundo ano, a substituir a Agricultura por Literatura, sem dar a conhecer aos pais a sua decisão. Terminado o curso, Archer Sloane, o professor de Literatura, propõe-lhe um lugar de assistente na universidade. 

Embora seja um professor dedicado, um desentendimento com um superior impedi-lo-á, durante décadas, de progredir na carreira e de sair da obscuridade. Acerca de Stoner vão surgindo, ao longo desses anos, mitos que dão dele uma certa imagem de excentricidade. 

A vida pessoal de William não é menos cinzenta. Casa, ainda muito jovem, com uma mulher que não o ama e que, ao longo de muitos anos de convivência, o hostiliza e afasta da única filha. Quando o protagonista se apaixona e vive durante algum tempo um romance com uma aluna, temos esperança de que a sua vida possa mudar e que ele consiga, finalmente, pôr fim a um casamento que não o faz feliz. Mas tal não acontece, acabando por deixar partir a única mulher que ama verdadeiramente.

Stoner, que nasceu no fim do século XIX, vive os contratempos de duas guerras mundiais, não chegando a superar a morte de um amigo que perde na primeira.

Ficamos, desde o início da narrativa, com a imagem de uma personagem apagada, incapaz de impor a sua vontade, que leva uma vida profundamente infeliz. Há, inclusive, momentos em que nos dá vontade de abanar Stoner, de tomar decisões por ele. Contudo, se quisermos ser justos, vislumbramos nele resiliência, princípios inabaláveis, que o impedem de ir pelos caminhos que os outros querem, a todo o custo, traçar para ele, qualidades que fazem dele um ser único. O autor afirma, numa entrevista, que não vê Stoner como ser infeliz, antes como alguém realizado, porque fez sempre aquilo que quis e de que gostava.

A escrita de John Williams é limpa, serena, sem grandes artifícios de retórica, mas literariamente eficaz, quer pela clareza do discurso, quer pela técnica narrativa, que leva o leitor a querer sempre ler mais uma página.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#17/2015)

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas (1977)

domingo, 26 de abril de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#17/2015)



Depois de dez anos sem Bowie lançar qualquer trabalho novo e desde 2006 sem dar concertos e eis "The Next Day". A crítica aplaudiu o dia seguinte dizendo que era um álbum belo, arrojado, provocativo e inteligente, o "The Independent" afirmou mesmo ser o maior regresso de sempre na história do "Rock". Convenhamos, Bowie sempre foi um visionário e inovador nos seus trabalhos, tornando-se nele próprio a evolução. Fiquem com "The Stars (Are Out Tonight)" e comprovem o génio de David Bowie.


sábado, 25 de abril de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins (#10/2015)

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (independentemente do seu comprimento). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.
VIII aqui
IX aqui


Esqueci-me de referir que eu não queria ir ao hospital, para mim era uma mera entorse que em nada urgia um hospital onde, certamente, me curariam e eu poderia ir à escola no dia seguinte – o que me lembra que não poderia ser Sexta-Feira e era, isso sim, Quinta-Feira, dia vinte de Fevereiro. A dor era enorme, mas se me impedisse de ir à escola, era suportável – … – e tratá-la estava portanto fora de assunto. Não fui à escola de qualquer modo. A gravidade da fractura levava-me a necessitar de ficar em casa imóvel para deixar secar o gesso e tinha de manter a perna levantada, pelo que só Terça-feira regressaria à escola. Dito isto, concluo agora que me enganei no ano. Não girava o ano de mil novecentos e noventa e sete, mas sim o seu predecessor. Mil novecentos e noventa e seis. Valeu-me imensas radiografias esta fractura – não direi estaladela, pois não me parece correcto – e é claro o fim-de-semana prolongado. Afinal foi bom ir ao hospital. O que me lembra que, anos mais tarde, andei com o polegar da mão direita também estalado, mas só fui ao hospital quando já a sanação da fractura ia em longo curso, pelo que de nada me valeram lá e saí “apenas” com uma receita para um spray que ia disfarçando as dores, que de resto não eram muitas, ou não teria aguentado três semanas até ir ao hospital.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

SCREEN SHOT (#17/2015)

(Esta semana Screen Shot é escrito pelo editor que rejeita o desacordo ortográfico.)


Clássico: Le voyage dans la lune [A Viagem à Lua] (1902)
Realização: Georges Méliès


A Viagem à Lua é um dos primeiros filmes de Ficção Científica e uma sequência animada no final atribui-lhe igualmente o título de uma das primeiras metragens animadas. Inspirado nos romances Da Terra à Lua, de Júlio Verne, e Os Primeiros Homens na Lua, de H. G. Wells. Como o título indica, conta a história de um grupo de astrónomos que viajam à lua numa cápsula expelida por um canhão. Originalmente gravado a preto e branco, Georges Méliès criou uma segunda versão, colorida manualmente, que acabou perdida e apenas foi recuperada em 2002 num celeiro em França. Esta versão é a mais completa existente do filme e algumas sequências, apesar de danificadas pelos anos e os elementos, foram recuperadas e coloridas a partir da versão a preto e branco. O realizador, que esperava lucrar com a exibição do filme nos E.U.A. acabou por falir alguns anos depois, quando viu a sua intenção gorada, pois Thomas Edison que obtivera algumas cópias do filme adiantou-se às intenções de Georges Méliès e ganhou por sua vez a fortuna que este almejava.

Sendo o filme mais antigo constando no livro "1001 filmes para ver antes de morrer", de Steven Jay Schneider, o filme encontra-se já em domínio público. Deixamos aqui os endereços para a versão a preto e branco. disponível no sítio archive.org e a versão colorida, com uma nova banda sonora composta pelos franceses Air.


Preto e branco:


Cor:

terça-feira, 21 de abril de 2015