Pomar de Letras é uma colaboração de diversos amigos, em formato "zine". Tem por objectivo encontrar um espaço no nosso meio cultural e divulgar a obra e propostas dos seus colaboradores nas mais variadas expressões. Conta por isso com o apoio e a colaboração de todos. Partilha connosco a tua arte, contacta-nos através da conta de correio electrónico pomardeletras@gmail.com, para que juntos, possamos florescer e ser frutos desta pequena (r)evolução.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Animagem (#17/2015)
Heart, literalmente, Coração, é uma metragem que toca na questão da partilha e da inveja com um toque surrealista, e detalhes que por vezes lembram personagens e cenários da animação japonesa.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#33/2015)
Não soube da tarde
Não soube da tarde
senão pela mudez das pedras,
pelo êxtase iluminado das árvores.
Ébria de memórias,
errei por caminhos de pó,
por trilhos de quietação.
Bebi, em sorvos lentos,
o aroma agreste das estevas,
bebi-me inteira, de um trago,
sem que me conhecesse.
Reencontrei-me no canto nocturno
das cigarras,
no restolhar animal e anónimo,
numa saudação longínqua de estrelas.
Não soube da tarde
senão pela mudez das pedras,
pelo êxtase iluminado das árvores.
Ébria de memórias,
errei por caminhos de pó,
por trilhos de quietação.
Bebi, em sorvos lentos,
o aroma agreste das estevas,
bebi-me inteira, de um trago,
sem que me conhecesse.
Reencontrei-me no canto nocturno
das cigarras,
no restolhar animal e anónimo,
numa saudação longínqua de estrelas.
Luísa Félix
domingo, 16 de agosto de 2015
Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#33/2015)
2012 foi o ano que nos deu a conhecer Baby In Vain. É importante porque falo de uma banda composta por três raparigas com idades compreendidas entra os 17 e os 20 anos que criam e desenvolvem um "Stoner Rock" extraordinário. Com Parecenças a PJ Harvey dos tempos de "Dry", Smashing Pumpkins do tempo de "Gish" ou até mesmo Sonic Youh, penso no marco da história que foi "Dirty", temos presente neste "Sweetheart Dreams" poderosos "riffs" de guitarras, voz arrastada e composições complexas que preenchem todo o álbum. A atentar... Fiquem com "Sweetheart Dreams" e deslumbrem-se com o talento destas "Senhoras".
sábado, 15 de agosto de 2015
Cidadão Nemo por Paulo Seara [(#07/2015) Peça Íntegral]
(Em dia de última cena de Cidadão Nemo, a Pomar de Letras publica na íntegra as 7 cenas desta peça em 1 acto, para ler e apreciar duma acentada.)
Cidadão Nemo
Peça em 1 Acto
Por Paulo Seara
Cidadão Nemo
Peça em 1 Acto
Por Paulo Seara
Cena 1 (Medicamentos)
Um terço da luz ilumina o quarto. Na penumbra quase total, um homem dorme, dentro de um enorme fatia de cobertores. O conforto do sono não será perturbado pelo ruído agudo da telefonia? Estará a dormir? Do quanto se consegue vislumbrar o mobiliário enegrecido, com algumas mossas, e cortes na madeira lacada. Há no ar o cheiro da urina; e o bafo retido no cubículo; o cotão com pó que petrifica o chão debaixo da cama. O relógio dispara, que é hora de tomar os comprimidos para adormecer. O homem está alerta, tosse e ergue-se, ilumina a dose habitual e deita-se novamente com os comprimidos se desfazendo nas entranhas. O rádio continua pela madragoa tocando, como se fosse a luz de vigília de crianças.
Monólogo ao tomar os comprimidos
Semedo: Este vou guardar para amanhã e este também, que a vida está cara, e porque preciso de dinheiro para o talho; e comprar as aparas é o que é! (Pausa). São horas … (tosse) … são só mais estes dois, e assim só de amanhã a oito é que compro uma nova caixa … (tosse). (Pausa) E tu vai tocar para a puta que te pariu (desliga o alarme, e volta a deitar-se).
Cena 2 (Diálogo com a encarregada do senhorio)
A cena decorre na cozinha, um espaço iluminado por uma luz suspensa, vislumbra-se parte da mesa, da porta em frente sai uma iluminação em contra luz, por aí saí a encarregado do senhorio.
Sr.ª Rosália: Oh, senhor Semedo! Afinal temos novamente as nódoas no chão da casa de banho… são pingas de mijo!
Semedo: O chão é a terra, minha senhora (ironizando a situação).
Srª Rosália: Senhor Semedo (pausa), sei que é uma pessoa simples, mas seja asseado, pois existem outras pessoas na casa…
Semedo: A senhora está a pensar que sou eu, mas não viu!
Srª Rosália: Não estou aqui para ver as vergonhas do próximo… Sabe bem que temos que ser uns para os outros; e o senhor tem que ter mais cuidado com estas situações. Se for você! Está manhã estive a limpar a casa de banho, depois voltei a entrar lá, porque me tinha esquecido do pano do pó, e deparo-me com pingas de mijo nos azulejos, meus não seriam, pois não ando a regar em pé, e como mais ninguém aqui estava, deduzo que seja o senhor. Tenha cuidado, e estime as coisas.
Semedo: (Desvia o olhar para o lado ao mesmo tempo que abaixa o queixo).
Srª Rosália: Estime as coisas, é o meu conselho!!!
Semedo: Eu vou ter mais cuidado. Mas anteontem por causa do ralo da banheira chamou-me à atenção, e eu não tinha nada que ver com o assunto. Até parece que se lá andam a rapar… a rapar… imagine.
Srª Rosália: Olhe, senhor Semedo, o melhor é ficarmos por aqui. Desculpe o incómodo ao jantar. Eu me vou, que tenho de tratar do meu!
(Pausa)
Semedo: Raios a partam, que limpe, pois eu pago-lhe!
(Recebe uma mensagem no telemóvel)
Mas quem és tu, olha-me este agora, está bem que te chames Gomes, mas não te conheço… Oh! vou para onde…às… É mas é maluco! É mas é maluco…
(O tipo liga)
Estou… mas… ah! sim, mas deve estar enganado…ah! sério que sim. Não me chateie, tente outro número.
(Pausa)
Queria o maluco, sair, pensa que tenho 20 anos, e que vou pagar-lhe alguma puta. Eu estive a combater… sei o que são as putas… e as infecções…. Que vá para o caralho!
(Pausa)
(Observa a televisão, e faz diversos zappings, sucessivamente, até ao abrupto blackout))
Petróleo e mais petróleo, isso é lá fora.
(Pausa)
Comer aqui é que é poupar, um tacho dá para 4 dias…
Cena 3 (Medicamentos)
Um terço da luz ilumina o quarto. Na penumbra quase total, um homem dorme, dentro de um enorme fatia de cobertores. O conforto do sono não será perturbado pelo ruído agudo da telefonia? Estará a dormir?
Do quanto consegue vislumbrar-se o mobiliário enegrecido, com algumas mossas, e cortes na madeira lacada. Há no ar o cheiro da urina; e o bafo retido no cubículo; o cotão com pó que petrifica o chão debaixo da cama. O relógio dispara, que é hora de tomar os comprimidos para adormecer. O homem está alerta, tosse e ergue-se, ilumina a dose habitual e deita-se novamente com os comprimidos se desfazendo nas entranhas. O rádio continua pela madragoa tocando, como se fosse a luz de vigília de crianças.
Monólogo ao tomar os comprimidos.
Semedo: Este vou guardar para amanhã e este também, que a vida está cara, e porque preciso de dinheiro para o talho, e comprar as aparas é o que é!. São horas … (tosse) … são só mais este dois, e assim só de amanhã a oito é que compro uma nova caixa … (tosse).
(Pausa)
E tu vai tocar para a puta que te pariu (desliga o alarme, e volta a deitar-se).
Cena 4 (Diálogo com a encarregada do senhorio)
A cena decorre na cozinha, um espaço iluminado por uma luz suspensa, vislumbra-se parte da mesa, da porta em frente sai uma iluminação em contra luz, por aí sai a encarregado do senhorio.
Sr.ª Rosália: Oh senhor Semedo, afinal temos novamente as nódoas no chão da casa de banho… são pingas de mijo!
Semedo: O chão é a terra, minha senhora (ironizando a situação).
Srª Rosália: Senhor Semedo, sei que é uma pessoa simples, mas seja asseado, pois existem outras pessoas na casa…
Semedo: A senhora está a pensar que sou eu, mas não viu!
Srª Rosália: Não estou aqui para ver as vergonhas do próximo… Sabe bem que temos de ser uns para os outros; e o senhor tem de ter mais cuidado com estas situações. Se for você! Está manhã estive a limpar a casa de banho, depois voltei a entrar lá, porque me tinha esquecido do pano do pó, e deparo-me com pingas de mijo nos azulejos, meus não seriam, pois não ando a regar em pé, e como mais ninguém aqui estava, deduzo que seja o senhor. Tenha cuidado, e estime as coisas.
Semedo: (desvia o olhar para o lado ao mesmo tempo que abaixa o queixo)
Srª Rosália: Estime as coisas, é o meu conselho!!!
Semedo: Eu vou ter mais cuidado. Mas anteontem por causa do ralo da banheira chamou-me à atenção, e eu não tinha nada que ver com o assunto. Até parece que se lá andam a rapar…a rapar… imagine…
Srª Rosália: Olhe Senhor Semedo o melhor é ficarmos por aqui. Desculpe o incómodo ao jantar. Eu me vou, que tenho que tratar do meu!
(Pausa)
Semedo: Raios a partam, que limpe, pois eu pago-lhe!
(Recebe uma mensagem no telemóvel)
Mas quem és tu, olha-me este agora, está bem que te chames Gomes, mas não te conheço… oh, vou para onde…às… é mas é maluco! É mas é maluco…
(O tipo liga)
Estou… mas… ah! sim, mas deve estar enganado…ah! sério que sim. Não me chateie, tente outro número.
(Pausa)
Queria o maluco, sair, pensa que tenho 20 anos, e que vou pagar-lhe alguma puta. Eu estive a combater… sei o que são as putas… e as infecções…. Que vá para o caralho!
(Pausa)
Petróleo e mais petróleo, isso é lá fora!
(Pausa)
Comer aqui é que é poupar, um tacho dá para 4 dias…
(Observa a televisão, e faz diversos zappings, sucessivamente, até ao abrupto blackout))
Cena 5 (A visitante)
Dentro do quarto com a parca iluminação, o telemóvel toca…
Semedo: Olá bom dia, ligas-me… és tu, parecia a voz da tua mãe… nem sabes o tempo que passou. Sim o local é bom, para o preço que é, é razoável. Queres saber se deixei aí alguma coisa? Vens cá amanhã, oh, sou assim tão importante para ter visitas. Tinhas medo… porque a rua era de má fama. Está bem… Traz então, se tendes uma a mais, que eu deixo no quarto… aqui há uma na saleta, não é grande coisa mas o sofá é bom! Se não pergunto nada… tu, é que estás aí, tu é que me podes trazer notícias. Estou bem, estou bem. Quero que saibas, que nem tu nem eu! Não estão mais amaciados… ora não vou perder o sono com isso. Nem tu nem eu! Sim! Mas podes ter a certeza que não vão mais roubar do meu prato! Tens de ir… está bem. Tudo está conversado, nada há mais, mais nada… Amanhã á tarde cá espero. É na Viela de São João, número 21, 2 º andar. Sim… sim… há intercomunicador… Adeus, boa viagem!
Galdéria, andas a estudar ecologia, aqui perto. Os teus pais é que são culpados. Se um gajo tivesse filhos…. se um gajo… mas sei lá, ainda saíram como os meus irmãos e irmãs. Chupistas dum raio, até os emigrados. A galdéria. Tenho aqui duas televisões, não preciso que me venhas trazer uma lata qualquer, e passear as mamas!
(Pausa)
Estou sim. Só depois de amanhã. Estimo-lhe as melhoras, não te esqueças de lhe dizer. Não faz mal. Nenhum. Vais ver que ainda te vai dar mais do que pensas, não sabes o que ela pensa de ti a sério. Está velha é o que é! Então adeus… e até breve.
És como a tua mãe, que só pensava em bailes, e dos dias felizes á moda antiga.
(Fade out)
Semedo: Ainda lá está… se pudesse… tirava uma cavilha, e acabava com ele, mas não estamos no mato.
(Pausa)
Quase que me viu… Lá continua, que animal. Pensas que isto fica assim… eu sei que queres fazer o comer, e não vai demorar muito.
(Pausa)
(Depois de ganhar coragem, aproxima-se do outro)
Não vai jantar, não vai ou já comeu fora… o fogão já está livre, se quiser faça o jantar, faça o jantar.
Outro: Ao jantar eu ainda não vou já…!
Semedo: Vai lá fora?!
Outro: Não, estou a dizer que vou jantar quando entender…, vou assim que entender!
(Semedo recua até aos aposentos, depois entra na cozinha e arreda um banco para se sentar, vê televisão. A cabeça está sobrelevada. A televisão abre uma fresta de luz.)
(Pausa)
(O Outro, despega-se do sofá, e passivamente entra na cozinha onde procura ingredientes. Sai novamente, procurando o isqueiro. Semedo deve-o ter com ele por asco. Semedo sai depois, inflecte para o quarto, disfarçadamente, e retoma o caminho para o sofá.)
(Fade out)
Cena 7 (Medicamentos)
Um terço da luz ilumina o quarto. Na penumbra quase total, um homem dorme, dentro de uma enorme fatia de cobertores. O conforto do sono não será perturbado pelo ruído agudo da telefonia? Estará a dormir? Do quanto se consegue vislumbrar o mobiliário enegrecido, com algumas mossas, e cortes na madeira lacada. Há no ar o cheiro da urina; e o bafo retido no cubículo; o cotão com pó que petrifica o chão debaixo da cama. O relógio dispara, que é hora de tomar os comprimidos para adormecer. O homem está alerta, tosse e ergue-se, ilumina a dose habitual e deita-se novamente com os comprimidos se desfazendo nas entranhas. O rádio continua pela madragoa tocando, como se fosse a luz de vigília de crianças.
Semedo: Este vou guardar para amanhã e este também, que a vida está cara, e porque preciso de dinheiro para o talho, e comprar as aparas é o que é!. São horas … (tosse) … são só mais este dois, e assim só de amanhã a oito é que compro uma nova caixa … (tosse). (Pausa) E tu vai tocar para a puta que te pariu (desliga o alarme, e volta a deitar-se).
Cena 6 (O outro está no sofá a ver a televisão boa)
Semedo: Ainda lá está… se pudesse… tirava uma cavilha, e acabava com ele, mas não estamos no mato.
(Pausa)
Quase que me viu… Lá continua, que animal. Pensas que isto fica assim… eu sei que queres fazer o comer, e não vai demorar muito.
(Pausa)
(Depois de ganhar coragem, aproxima-se do outro)
Não vai jantar, não vai ou já comeu fora… o fogão já está livre, se quiser faça o jantar, faça o jantar.
Outro: Ao jantar eu ainda não vou já…!
Semedo: Vai lá fora?!
Outro: Não, estou a dizer que vou jantar quando entender…, vou assim que entender!
(Semedo recua até aos aposentos, depois entra na cozinha e arreda um banco para se sentar, vê televisão. A cabeça está sobrelevada. A televisão abre uma fresta de luz.)
(Pausa)
(O Outro, despega-se do sofá, e passivamente entra na cozinha onde procura ingredientes. Sai novamente, procurando o isqueiro. Semedo deve-o ter com ele por asco. Semedo sai depois, inflecte para o quarto, disfarçadamente, e retoma o caminho para o sofá.)
(Fade out)
Cena 7 (Medicamentos)
Um terço da luz ilumina o quarto. Na penumbra quase total, um homem dorme, dentro de uma enorme fatia de cobertores. O conforto do sono não será perturbado pelo ruído agudo da telefonia? Estará a dormir? Do quanto se consegue vislumbrar o mobiliário enegrecido, com algumas mossas, e cortes na madeira lacada. Há no ar o cheiro da urina; e o bafo retido no cubículo; o cotão com pó que petrifica o chão debaixo da cama. O relógio dispara, que é hora de tomar os comprimidos para adormecer. O homem está alerta, tosse e ergue-se, ilumina a dose habitual e deita-se novamente com os comprimidos se desfazendo nas entranhas. O rádio continua pela madragoa tocando, como se fosse a luz de vigília de crianças.
Monólogo ao tomar os comprimidos
Semedo: Este vou guardar para amanhã e este também, que a vida está cara, e porque preciso de dinheiro para o talho, e comprar as aparas é o que é!. São horas … (tosse) … são só mais este dois, e assim só de amanhã a oito é que compro uma nova caixa … (tosse). (Pausa) E tu vai tocar para a puta que te pariu (desliga o alarme, e volta a deitar-se).
Anotações
Cidadão Nemo é a constituição da decadência nos seus últimos patamares, de um cidadão ninguém, num mundo em que todos são nada, e em que esse nada nem entra no mundo. Para fazer parte do mundo é preciso ser livre.
A peça é um passo que antecede a caminhada para um quarto mais pequeno que é o caixão. Existirá ainda lugar para auto-avaliação, regressão, e partilha? A casa de hóspedes; uma casa de respeito, é o primeiro estágio do fim. E o fim muda tudo? Cidadão Nemo é um quadro de Schopenhauer, e o modo como ele acabaria nos dias de hoje, encostado ao medo vindo dos actos de uma encarregado de um senhor visível: um deus económico que usa fraque negro, e que se está a borrifar para a escadaria de deficiências que acompanha os habitantes daquele aquário mal cheiroso.
As cenas são repetitivas pois nada vai mudar, o que podia ter sido a mudança morreu com a idade adulta. Não se vive com um propósito, mesmo que seja a boémia mais grave; vive-se com o ácido úrico e a sensação crespa quando acontece alguma coisa que desvia tudo do caminho natural das coisas. O caminho natural das personagens. O Cidadão Nemo, que já nem acredita na democracia, se alguma vez acreditou, tem apenas um motivo que o revolve quando torce pelo juro baixo, a renda, e uma reforma digna de um grande poeta como Luís de Camões.
Quanto á parte técnica e cenográfica, espero que as informações patentes nas didascálias bastem para realizar o corpo desta peça. Tudo deve ser respeitado para criar o ambiente, dos cheiros ás luzes. Bem sei que pode ser desagradável, mas quero que a mensagem desta peça não alastre como um poema de livre apreciação. O texto não revela nenhum segredo, somente a banalidade repetida até o último grito
cardíaco.
Paulo Seara
23/ 05/06
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
SCREEN SHOT por A.A.M. (#33/2015)
(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)
Filme: Amy (2015)
Realização: Asif Kapadia
Com imagens e músicas inéditas, Amy é mais do que um filme biográfico. Aliás, é um documentário onde mostra toda a genuinidade daquela que terá sido uma das maiores estrelas da música. Há algumas vezes aconteceu em que o talento sobrenatural anda junto com a desgraça e assim aconteceu. Em Back to Black, Amy Winehouse teve a sua confirmação como celebridade mundial, mas também fez com que seus problemas com álcool e narcóticos aumentassem. Asif Kapadia, que tinha realizado Senna, documentário sobre o piloto brasileiro, constrói um retrato poderoso sobre uma estória trágico-bela, refutado pela família mas aclamado pelos fãs. Amy, é a voz que ficará para sempre.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Ditados Impopulares (#16/2015)
(N.R.: Devido a problemas com o serviço de Internet o ditado desta semana chega "fora de horas".)
"Um provérbio que privilegia a estética musical e a boa vizinhança."
Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)
"Um provérbio que privilegia a estética musical e a boa vizinhança."
Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#32/2015)
Fala do Velho do Restelo ao astronauta
Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti eu nem sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas de espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.
José Saramago
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