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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#35/2015)

Retrato


Cruel como os Assírios,
Lânguido como os Persas,
Entre estrelas e círios
Cristão só nas conversas.

Árabe no sossego,
Africano no ardor;
No corpo, Grego, Grego!
Homem, seja onde for.

Romano na ambição,
Oriental no ardil,
Latino na paixão,
Europeu por subtil:

Homem sou, homem só
(Pascal: "nem anjo nem bruto"):
Cristãmente, do pó
Me levante impoluto.


Vitorino Nemésio

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#35/2015)



Krieg Und Frieden (Music For Theatre) é o mais recente álbum de Apparat; inspirado em Guerra e Paz de Tolstoy, a crítica afirma que Apparat, ou seja Sascha Ring, é o grande inovador da Alemanha contemporânea. Com uma electrónica que fica no ouvido e com experiência firmada, Krieg Und Frieden (Music For Theatre) é um álbum consistente e diverso música após música.

Fiquem com o single, A Violent Sky.


sábado, 29 de agosto de 2015

SCREEN SHOT (#35/2015)

Clássico: Mulheres da Beira (1923)
Realização: Rino Lupo


Adaptado de um conto de Abel Botelho e realizado pelo italiano Rino Lupo, Mulheres da Beira é uma história rural de amores e desamores, protagonizado por Brunilde Júdice no papel de Ana. Restaurado em 2003, o filme foi musicado em 2007 pelo músico Ivo Brandão para o AroucaFilm Festival. Esta é a versão que aqui partilhamos.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Livros que nos devoram por Luísa Félix (#07/2015)

A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones


Em A Catedral do Mar, um romance de base histórica, Ildefonso Falcones situa a maior parte da acção na cidade de Barcelona do final da Idade Média, cuja estrutura feudal predomina ainda.

Arnau, o protagonista da obra, chega a Barcelona muito pequeno, com o pai, Bernat, que foge ao jugo de um senhor feudal impiedoso e cruel. Por serem foragidos, Arnau e o pai terão de viver clandestinamente na casa da irmã de Bernat, casada com um mestre oleiro bem sucedido, para quem pai e filho trabalharão. Só depois de um ano, poderão ser considerados cidadãos de Barcelona.

O crescimento de Arnau acompanha a construção da catedral de Santa Maria del Mar, um templo construído no bairro dos pescadores, com o trabalho dos populares, em particular dos bastaixos, ou estivadores, e com o dinheiro de alguns burgueses.

Desde cedo, Arnau sente fascínio pelas obras da catedral, pela imagem da virgem que este espaço alberga e pelo trabalho dos bastaixos, tornando-se ele próprio um deles, depois da morte do pai. Contudo, Arnau será também soldado de reconhecido valor e um cambista respeitado. Ao longo do tempo, conhece a felicidade e a desgraça, a inveja e a maldade. 

Numa escrita fluente e extremamente visual, Ildefonso Falcones transporta-nos para uma Barcelona em ascensão, onde confluem diferentes povos e culturas, fazendo também um retrato minucioso da sociedade da época, em que a Igreja, através de um “instrumento” cada vez mais poderoso - a Inquisição -, se destaca.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#34/2015)

Poema podendo servir de posfácio 

A Eduardo de Oliveira


ruas onde o perigo é evidente
braços verdes de práticas ocultas
cadáveres à tona de água
girassóis
e um corpo
um corpo para cortar as lâmpadas do dia
um corpo para descer uma paisagem de aves
para ir de manhã cedo e voltar muito tarde
rodeado de anões e de campos de lilases
um corpo para cobrir a tua ausência
como uma colcha
um talher
um perfume

isto ou o seu contrário, mas de certa maneira hiante
e com muita gente à volta a ver o que é
isto ou uma população de sessenta mil almas devorando almofadas escarlates a caminho do mar
e que chegam
ao crepúsculo
encostadas aos submarinos
isto ou um torso desalojado de um verso
e cuja morte é o orgulho de todos
ó pálida cidade construída
como uma febre entre dois patamares!
vamos distribuir ao domicílio
terra para encher candelabros
leitos de fumo para amantes erectos
tabuinhas com palavras interditas
– uma mulher para este que está quase a perder o gosto à vida – tome lá –
dois netos para essa velha aí no fim da fila – não temos mais –
saquear o museu dar um diadema ao mundo e depois obrigar a repor no mesmo sítio
e para ti e para mim, assentes num espaço útil,
veneno para entornar nos olhos do gigante

isto ou um rosto um rosto solitário como barco em demanda de vento calmo para a noite
se nós somos areia que se filtre
a um vento débil entre arbustos pintados
se um propósito deve atingir a sua margem como as correntes da terra náufragos e tempestade
se o homem das pensões e das hospedarias levanta a sua fronte de cratera molhada
se na rua o sol brilha como nunca
se por um minuto
vale a pena
esperar
isto ou a alegria igual à simples forma de um pulso
aceso entre a folhagem das mais altas lâmpadas
isto ou a alegria dita o avião de cartas
entrada pela janela saída pelo telhado

ah mas então a pirâmide existe?
ah mas e então a pirâmide diz coisas?
então a pirâmide é o segredo de cada um com o mundo?

sim meu amor a pirâmide existe
a pirâmide diz muitíssimas coisas
a pirâmide é a arte de bailar em silêncio

e em todo o caso

há praças onde esculpir um lírio
zonas subtis de propagação do azul
gestos sem dono barcos sob as flores
uma canção para ouvir-te chegar


Mário Cesariny

domingo, 23 de agosto de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#34/2015)



Ólafur Arnalds, oriundo da Islândia, dá-nos o seu Inverno, que, estimados leitores, é tão aconchegante. For Now I Am Winter contém 12 músicas que nos tiram o fôlego. Este autor, já com a reputação de ser um dos grandes novos compositores, combina Orquestra com Electrónica imperialmente. Este trabalho foi descrito por Arnalds como o melhor que já fez até à data, um álbum que embarca numa evolução conceptual sazonal que usufrui do neo-clássico e estabelece-se como um pilar do estilo.
Fiquem com a belíssima "Only The Winds".