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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#40/2015)

Último soneto


Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...


Paris – dezembro 1915


Mário de Sá Carneiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#40/2015)



Esta banda Sueca produz uma electrónica de se lhe tirar o chapéu. É arrojada, dinâmica e eloquente, segue a vertente de bandas como Orbital ou Underworld. Origin #2, 11.º álbum de originais, é o segundo capítulo, de uma série de quatro, que contêm músicas que haviam sido criadas na primeira década de 2000 e que foram encostadas na altura. Anos volvidos, são agora reconstruídas para nos dar uma incursão contemporãnea pelo imaginário de Magnus Birgersson.
Fiquem com "Unknown Presence".


sábado, 3 de outubro de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#40/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: Mr. Robot (2015)
Criação: Sam Esmail


Elliot Alderson sofre de ansiedade social e a sua forma de “comunicar” com o mundo é através do ciberespaço. Jovem, programador, residente na cidade de Nova Iorque, trabalha para uma empresa de protecção cibernética contra hackers. No entanto, é contactado por uma pessoa que se autointitula Mr. Robot, com a finalidade de o integrar na sua equipa de intervenção que ataca grandes empresas de actividade suspeita, as quais ele é pago para proteger. Um suspense atual que reflete uma sociedade cheia de suspeitas e com tendência a que o espaço virtual seja cada vez mais parte da realidade; Hackers sendo por muitos considerados uma ameaça, são também eles os protetores e guardiões do ciberespaço.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Animagem (#20/2015)

Pôrgu (Inferno) é uma curta-metragem animada sobre e inspirada em três obras, do início da década de 1930, do artista gráfico estónico Eduard Wiiralt. O Pregador; Cabaré; e Inferno são as três obras "re-tratadas" por Rein Raamat nesta viagem tão perturbada quão perturbadora.


Livros que nos devoram por Luísa Félix (#08/2015)

Poesias Completas, de Mário de Sá-Carneiro




Mário de Sá-Carneiro pôs termo à vida, num quarto em Paris, em 1916, com apenas 26 anos. Contudo, o facto de ter vivido pouco tempo não o impediu de produzir uma obra rica e diversificada, ainda que pouco extensa. Poesias Completas, uma publicação de 1985, da responsabilidade da editora Orfeu, reúne poemas do autor, inicialmente publicados nos volumes Dispersão (1914) e Indícios de Oiro (1938), bem como o poema “Manucure”, dado a conhecer na revista Orpheu.

Na sua poesia, Mário de Sá-Carneiro exprime frequentemente, à semelhança de Pessoa, a nostalgia do “além” («A minh’alma nostálgica de além» - “Partida”), o desejo de evasão («Quero dormir... ancorar», em “Vontade de dormir” ou «Ah, que me metam entre cobertores, / E não me façam mais nada!...», em “Caranguejola”)), a dispersão do eu, a incapacidade de se definir e de se encontrar («Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto», em “Dispersão”). 

Sá-Carneiro é também o poeta da desilusão e da dor, que resultam da constatação de que a sua vida fica sempre aquém daquilo que sonha («Um pouco mais de sol – eu era brasa. / Um pouco mais de azul – eu era além. / Para atingir, faltou-me um golpe de asa... / (...) De tudo houve um começo... e tudo errou... / - Ai a dor de ser quase, dor sem fim... -/ Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, / Asa que se elançou mas não voou...», no poema “Quase”) ou do desalento («A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante,/ Que desde o Poente ao Levante/ A minha vida fartou-se. //E ei-la, a mona, lá está,/ Estendida, a perna traçada,/ No infindável sofá/ Da minha Alma estofada.», em “Serradura”).

Ainda que seja o poeta pessimista do desalento, do tédio e da desilusão, há em muitos dos seus textos um toque de ironia, como se ele se risse da sua própria desgraça, há o brilho dourado dos palácios e dos salões de baile, a euforia do mundo moderno, sobretudo no grafismo de alguns textos, à semelhança do que encontramos nas odes do heterónimo pessoano Álvaro de Campos.

No ano em que se celebram os cem anos da revista Orpheu, nada melhor do que ler ou reler a obra de um dos seus fundadores, que foi companheiro de Fernando Pessoa e de Almada Negreiros, e de outros, no compromisso de provocar e sacudir o meio literário da época, marcando, assim, o início do Modernismo em Portugal.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#39/2015) [Hoje, excepcionalmente, na Terça-Feira...]

A vida são apenas dois dias
E três noites, duas sem fim,
Pois são prantos as melodias
Abrindo e fechando o festim.

A festa é breve e descontínua
Para recomeçar depois;
Faz a noite fria e sem lua
Os dias da vida serem dois.

Ninguém se lembra bem ao certo
Como chegou a noite inicial
Nem sabe se está longe ou perto
A treva que será a final.

Tanta é a vez que o sol se esconde
Ou mesmo se eclipsa do céu
Que não sabemos quando nem onde
Ele raia ou se cobre com véu.

A noite que separa os dias
É dor que bem custa enfrentar
E dormindo sobre tragédias
Faz-se dia da noite a sonhar.

Assim os dois dias da vida
Podem parecer ter noites muitas
E a noite pelo meio é vivida
Como tendo alvoradas fortuitas.

A noite varia a duração
E os dias são grandes ou pequenos,
Pois ninguém escolhe a estação
De seus dias frios ou amenos.

Um dia será noite profunda
Mesmo sem dar p´ra perceber
E de novo a luz só inunda
A vida depois de morrer.


Hugo Carabineiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#39/2015)




O regresso dos mestres Depeche Mode está anunciado para 2016. Entretanto, falamos do último álbum, Delta Machine. O primeiro single, Heaven, demostra o que Martin Gore revelou sobre este trabalho, moderno e de busca pela paz. Gahan afirmou que contém algumas das melhores músicas que a banda fez na sua carreira, Delta Machine segue a vertente de Violator e Songs Of Faith And Devotion (que poderosos). Esperamos que o próximo álbum mantenha a qualidade.
Até lá, fiquem com Heaven.