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sábado, 10 de outubro de 2015

SCREEN SHOT (#41/2015)

Filme: Yellow Submarine [O Submarino Amarelo] (1968)
Realização: George Dunning


Os Beattles não requerem qualquer apresentação, mesmo não se conhecendo a sua música, será difícil que nunca se tenha ouvido falar da banda, ou mesmo se desconheça a importância do quarteto de Liverpool para a indústria musical dos anos 60/70. Em 1968, a banda colaborou com o realizador George Dunning e o designer Heinz Edelmann na criação de uma longa-metragem de animação que se viria a tornar num ícone e a ganhar estatuto de culto na "Pop-Art". Depois de os Blue Meanies terem tomado de assalto Pepperland extinguindo a música e o amor, Fred, líder da orquestra do reino, vê-se obrigado a fugir n'O Submarino Amarelo, para terras longínquas, em busca de ajuda e salvação para o seu reino desolado e moribundo. Acaba por encontrar os Beattles e com estes enbarca numa alucinante e alucianada viagem de regresso a Pepperland para resgatar o reino da malvada e silente opressão dos malvados seres azuis.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ditados Impopulares (#20/2015)



"Uma expressão bastante popular que compreende múltiplas leituras, todas elas muito elogiosas do Rio que tem essa alcunha, a não ser que a sigla signifique o insulto: Fanático Dos Popós."


Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#40/2015)

Último soneto


Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...


Paris – dezembro 1915


Mário de Sá Carneiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#40/2015)



Esta banda Sueca produz uma electrónica de se lhe tirar o chapéu. É arrojada, dinâmica e eloquente, segue a vertente de bandas como Orbital ou Underworld. Origin #2, 11.º álbum de originais, é o segundo capítulo, de uma série de quatro, que contêm músicas que haviam sido criadas na primeira década de 2000 e que foram encostadas na altura. Anos volvidos, são agora reconstruídas para nos dar uma incursão contemporãnea pelo imaginário de Magnus Birgersson.
Fiquem com "Unknown Presence".


sábado, 3 de outubro de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#40/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: Mr. Robot (2015)
Criação: Sam Esmail


Elliot Alderson sofre de ansiedade social e a sua forma de “comunicar” com o mundo é através do ciberespaço. Jovem, programador, residente na cidade de Nova Iorque, trabalha para uma empresa de protecção cibernética contra hackers. No entanto, é contactado por uma pessoa que se autointitula Mr. Robot, com a finalidade de o integrar na sua equipa de intervenção que ataca grandes empresas de actividade suspeita, as quais ele é pago para proteger. Um suspense atual que reflete uma sociedade cheia de suspeitas e com tendência a que o espaço virtual seja cada vez mais parte da realidade; Hackers sendo por muitos considerados uma ameaça, são também eles os protetores e guardiões do ciberespaço.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Animagem (#20/2015)

Pôrgu (Inferno) é uma curta-metragem animada sobre e inspirada em três obras, do início da década de 1930, do artista gráfico estónico Eduard Wiiralt. O Pregador; Cabaré; e Inferno são as três obras "re-tratadas" por Rein Raamat nesta viagem tão perturbada quão perturbadora.


Livros que nos devoram por Luísa Félix (#08/2015)

Poesias Completas, de Mário de Sá-Carneiro




Mário de Sá-Carneiro pôs termo à vida, num quarto em Paris, em 1916, com apenas 26 anos. Contudo, o facto de ter vivido pouco tempo não o impediu de produzir uma obra rica e diversificada, ainda que pouco extensa. Poesias Completas, uma publicação de 1985, da responsabilidade da editora Orfeu, reúne poemas do autor, inicialmente publicados nos volumes Dispersão (1914) e Indícios de Oiro (1938), bem como o poema “Manucure”, dado a conhecer na revista Orpheu.

Na sua poesia, Mário de Sá-Carneiro exprime frequentemente, à semelhança de Pessoa, a nostalgia do “além” («A minh’alma nostálgica de além» - “Partida”), o desejo de evasão («Quero dormir... ancorar», em “Vontade de dormir” ou «Ah, que me metam entre cobertores, / E não me façam mais nada!...», em “Caranguejola”)), a dispersão do eu, a incapacidade de se definir e de se encontrar («Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto», em “Dispersão”). 

Sá-Carneiro é também o poeta da desilusão e da dor, que resultam da constatação de que a sua vida fica sempre aquém daquilo que sonha («Um pouco mais de sol – eu era brasa. / Um pouco mais de azul – eu era além. / Para atingir, faltou-me um golpe de asa... / (...) De tudo houve um começo... e tudo errou... / - Ai a dor de ser quase, dor sem fim... -/ Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, / Asa que se elançou mas não voou...», no poema “Quase”) ou do desalento («A minha vida sentou-se/ E não há quem a levante,/ Que desde o Poente ao Levante/ A minha vida fartou-se. //E ei-la, a mona, lá está,/ Estendida, a perna traçada,/ No infindável sofá/ Da minha Alma estofada.», em “Serradura”).

Ainda que seja o poeta pessimista do desalento, do tédio e da desilusão, há em muitos dos seus textos um toque de ironia, como se ele se risse da sua própria desgraça, há o brilho dourado dos palácios e dos salões de baile, a euforia do mundo moderno, sobretudo no grafismo de alguns textos, à semelhança do que encontramos nas odes do heterónimo pessoano Álvaro de Campos.

No ano em que se celebram os cem anos da revista Orpheu, nada melhor do que ler ou reler a obra de um dos seus fundadores, que foi companheiro de Fernando Pessoa e de Almada Negreiros, e de outros, no compromisso de provocar e sacudir o meio literário da época, marcando, assim, o início do Modernismo em Portugal.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.