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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#46/2015)

A saudade é uma folha morta caída no chão!


amo o vazio das dúvidas consistentes
os preceitos elaborados não me incomodam
e também nunca vejo uma boa solução
ouvi dizer
que a beleza das coisas fica sempre no meio
termo que poucas vezes se consegue tocar
lá fora
se há névoa, chuva ou vento a todos pesa
o tempero do carácter e a deformação social
ainda
na minha boca desliza a palavra como o ocaso
cedendo ao instante liquido da tranquilidade
enquanto
regresso ao colo onde me sinto menina
como quem volta a casa por um instante
cá dentro
quebram-se os limites da própria morte
ateia-se o lume às nuvens para que derretam
augura-se uma nova existência


Paula Santos

domingo, 15 de novembro de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#46/2015)



Voltamos ao "Indie Rock" para ouvir, directamente da Escandinávia, Fallulah e o seu álbum "Out Of It". Com uma voz altamente apetecível, este trabalho de Fallulah já obteve grande sucesso, denota substância e uma sofisticação interessante. Para os lados frios da Escandinávia temos a diversidade e adaptabilidade não só ao meio envolvente, mas também aos requisitos Europeus no que concerne este estilo musical.
Fiquem com a música que dá nome ao álbum, "Out Of It".


sábado, 14 de novembro de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#46/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Inside Out ]Divertida Mente] (2015)
Realização: Pete Docter, Ronnie Del Carmen


A Alegria, o Medo, a Raiva, a Repulsa e a Tristeza são personificadas no cérebro de uma jovem menina, Riley. Quando o seu pai muda de emprego, toda a família tem de se deslocar da sua pacata vila no Minnesota para a grande cidade de São Francisco e com essa mudança surgem as mais variadas emoções que conduzidas pela Alegria, no seu cérebro, fazem com que a vida de Riley nunca deixe de ser feliz. No entanto quando a Alegria e a Tristeza se perdem, a Raiva e o Medo aproveitam e assumem o comando da vida da menina de 11 anos que se vê sujeita a explosivas variações de humor devido às traquinices de certas emoções. Mais um belo trabalho da equipa Pixar.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Animagem (#23/2015)

Strange Fruit (*Fruta Alheia) é uma curta-metragem israelita sobre xenofobia e o absurdo da discriminação e repressão em nome de falsos valores de igualdade e superioridade. Produzida e realizada na Academia de Artes e Design Bezalel, em Jerusálem, esta curta enfaixa em gaze as feridas que meio século ainda não sarou.




(*Tradução livre.)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ditados Impopulares (#22/2015)



"Um provérbio ideal para jantares em que a comida até pode não ser grande coisa porque importa mais a música ambiente, a sessão de poesia ou simplesmente a companhia."

Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#45/2015)

O Noivado do Sepulcro


Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,

D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

"Mulher formosa, que adorei na vida,
"E que na tumba não cessei d'amar,
"Por que atraiçoas, desleal, mentida,
"O amor eterno que te ouvi jurar?

"Amor! engano que na campa finda,
"Que a morte despe da ilusão falaz:
"Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
"Do pobre morto que na terra jaz?

"Abandonado neste chão repousa
"Há já três dias, e não vens aqui...
"Ai, quão pesada me tem sido a lousa
"Sobre este peito que bateu por ti!

"Ai, quão pesada me tem sido!" e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.

"Talvez que rindo dos protestos nossos,
"Gozes com outro d'infernal prazer;
"E o olvido cobrirá meus ossos
"Na fria terra sem vingança ter!

- "Oh nunca, nunca!" de saudade infinda,
Responde um eco suspirando além...
- "Oh nunca, nunca!" repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.

"Não, não perdeste meu amor jurado:
"Vês este peito? reina a morte aqui...
"É já sem forças, ai de mim, gelado,
"Mas inda pulsa com amor por ti.

"Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
"Da sepultura, sucumbindo à dor:
"Deixei a vida... que importava o mundo,
"O mundo em trevas sem a luz do amor?

"Saudosa ao longe vês no céu a lua?
- "Oh vejo sim... recordação fatal!
- "Foi à luz dela que jurei ser tua
"Durante a vida, e na mansão final.

"Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
"Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
"Quero o repouso de teu frio leito,
"Quero-te unido para sempre a mim!"

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrado, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.



Soares de Passos