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sábado, 12 de dezembro de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#50/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Star Wars: The Force Wakens [Star Wars: O Despertar da Força] (2015)
Realização: J.J. Abrams


O Despertar da Força! Apesar da grandeza do título, ainda assim não consegue comportar todo o anseio e o fluxo de entusiasmo mundial pela estreia do tão esperado filme da saga Star Wars. Desde o país mais civilizado ao "pueblo" mais longínquo, a extensão que a Força alcança é atualmente inimaginável. E nada melhor do que aproveitar os dias que antecedem a estreia, juntando-se ao frio que já se faz sentir, do que rever todos os episódios para saber em que ponto da história ficamos. Chewbacca, R2-D2, C3PO, Luke Skywalker, e o regresso de Harrison Ford como Han Solo, estão de novo juntos para combater a Nova Ordem do Império, com a data de estreia praticamente esgotada em todas as salas internacionalmente. Nas palavras do mestre: Hype do momento o assunto é, inevitável ver o filme será.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Animagem (#25/2015)

Produzida na Alemanha, em 1989 e realizada por Wolfgang e Christoph Lauenstein, Balance (*Equilíbrio), vencedora do Óscar para melhor Curta de Animação (1990), é uma reflexão sobre a ganância e a inveja; um ensaio sobre a cegueira do nosso cíume egoísta, instável e desequilibrado.




(*Tradução livre.)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#49/2015)

Língua Portuguesa


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


Olavo Bilac

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#49/2015)



Misun são um trio de "Indie" que se apropria do estilo "Rock" dos 80´s, no entanto dão-lhe um toque moderno e fresco. "Darkroom" fica no ouvido, as letras no pensamento e as guitarras, bem como a bateria devolvem-nos o divertimento tão necessitado nos dias de hoje. Ou seja, a nível instrumental, Misun, são "selvagens" (no melhor dos sentidos).
Fiquem com "Darkroom".


sábado, 5 de dezembro de 2015

Democracia Chinesa por Paulo Seara

Democracia chinesa


Naquele dia despertei para o sarcasmo, a vida é preciso vivê-la apesar de tudo. Ao estudar a humanidade observamos todos os dias uma enorme capacidade de adaptação ao absurdo. Ninguém se apercebe, na maior parte das vezes, tão natural é como o respirar.

Durante os ritmos frenéticos de trabalho, em que os patrões fornicam quem trabalha, a cegueira fermenta descuidos, muitos amargos de boca, acidentes. Um prato de comida não é um prato de comida, desiludam-se. A comida é feita de suor, de talento, e de átomos. Alguns átomos, dispensaríamos, mas a cegueira no trabalho fermenta descuidos. 

Então foi assim, ou poderia não ter sido assim.

O forno do restaurante rebentava de canícula. Os patos assavam lançando sucos e odores. Cheirava a banha. Respigavam algumas gotas de sangue no aço inoxidável. As especiarias: gengibre, açúcar, sal chinês, cravinho coziam no esterno das aves. 

Naquele dia a limpeza do forno fora adiada para o termo nocturno. O cleaner tinha de abraçar todo o trabalho com que se deparava, e como que ao centro de uma praça, havia o imponente forno de assar patos. Era necessário abraçá-lo, para o abrir; desmontar a estrutura e executar a limpeza. Nem sempre assim era. Os dias não são dias, no que diz respeito à limpeza de um forno. 

Com o relógio em contagem decrescente, uma esfregona e dois baldes de água quente com detergente corregiam a limpeza da parte interna. Bastava uma forte e determinada esfregona, que rodopiava no forno de assar para terminar com o assunto. Se o metal meio embodegado voltasse a brilhar, nada mais interessava. Frio e absorto, no forno se tinha consolidado gordura; água da banha; crostas; e um cheiro que acabava impregnando as narinas, e fazia descer o estômago para os interstícios do vómito. 

Toda a mistela gordurosa terminava grudada nas tranças da esfregona. A esfregona nas mãos do cleaner; e as mãos transportando a esfregona bamboleante pelos ladrilhos, terminando enchafurdada nas taças dos sanitários, nos quais o cenário seria também catastrófico, se não houvesse uma limpeza diária. Isso mesmo, tal como vos parece, a esfregona saltava dos sanitários para o chão, e do chão para o forno de assar, e do forno de assar – sem mais delongas – para a rota que a levaria de novo à casa de banho dos trabalhadores. 

Pato assado à Pequim é muito bom, mas segundo as crónicas, não se deve levar à boca o que andou no cu. Regras de boa educação universal, mas isso diz respeito à degustação e não há preparação da iguaria.

Para todos os trabalhadores o pato assado era a iguaria da casa. Naquele dia chegaria (como todos os dia aliás) a toda a parte o cheiro do pato à Pequim. A roda, a grande roda do trabalho recomeçaria, e como sempre, no fim do dia, terminaria sem deixar quase nada. Os clientes, os trabalhadores (nem todos em abono da verdade), e o patrão comeram pato à Pequim com um ingrediente secreto: urina e fezes. Um pequeno nada de bactérias dissimuladas mais tarde nos molhos, e nas iguarias do restaurante. Sempre pensei que um desastre destes, tão tardio, com qualidades antiquadas não fosse acontecer naquele restaurante. Este foi um dos bolbos pútridos daquela monstruosa árvore das patacas.

A notícia das trocas de esfregonas, ou da perda da esfregona do forno dos patos, ficou meio abafada. Apenas o pessoal mais próximo, na sala de preparação, e três chefes souberam das peripécias da esfregona sapadora.

Quem ensinou – e estou a usar um termo sensível – os cleaners a limpar o forno dos patos, fora o velho Fang, retirado para uma reforma ocupacional. 



Se Goya ilustrou os desastres da guerra, eu aqui descrevo os desastres da cozinha. O desastre se não está no jantar, está no menu. Mas está sempre lá, até às 22.00 horas, depois, nem mais um minutos depois, não está. Porque não pode ser. Não dá! 

Decorreram alguns dias, após a poeira assentar, corri um risco. Brinquei com a situação abertamente, introduzindo política na cozinha, no meio de uma bateria de cozinha constituída por chineses. Foi num beco, tipicamente um beco com escadas ferrugentas, canos, estratificações de lixo, e merda de pombo.


Paulo Seara

SCREEN SHOT por A.A.M. (#49/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: The 100 (2014)
Produção: Jason Rothenberg


Toda a ação decorre 97 anos após uma guerra nuclear que destruiu toda a civilização e incapacitou o planeta Terra de condições básicas de habitabilidade. Os sobreviventes vivem agora a bordo de uma estação espacial que, com os seus recursos a escassear, se vêem forçados a encontrar soluções que garantam a sobrevivência da espécie Humana. Assim, 100 jovens delinquentes, em prisão na estação espacial, são enviados de novo à Terra para serem cobaias das condições de sobrevivência atuais no planeta. Neles são depositadas grandes esperanças e seus sinais vitais são monitorizados através de pulseiras. Durante a aterragem perdem todas as comunicações com a estação espacial à exceção das pulseiras vitais que continuam a enviar sinal, até que esses sinais, das 100 pessoas enviadas, começam drasticamente a diminuir.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015