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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#05/2016)

Desencontros no amor


Triste de quem me quer bem
E sou tão vários num só eu
Que quando alguém me tem
Ama outros que não escolheu

Alheio sou o que não vivi

O sonho de amor de que nasci!


Valter Guerreiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#05/2016)

The Growlers - Hung At Heart - 2013




Os The Growlers são uma banda Americana de "Rock Psicadélico" e em 2013 lançaram "Hung At Heart". Caracterizados como uma banda com um futuro brilhante, "Hung At Heart" é um álbum intenso e carismático, a voz de Nielsen é arrastada e tem calibre para se manter no topo do panorama de vozes como a de Casablancas (The Strokes), ou Young (The Vaccines). Este trabalho é forte como podem comprovar pela "One Million Lovers".


SCREEN SHOT por A.A.M. (#05/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: The Hateful Eight [Os Oito Odiados] (2015)
Realização: Quentin Tarantino


Sem necessitar de apresentações, Tarantino regressa com um dos seus géneros assumidamente preferidos, o western. Consigo traz os suspeitos do costume: Samuel L. Jackson, Tim Roth, Michael Madsen a que se juntam novos participantes com este realizador. Inspirado em “Sete Homens e um Destino” (1960) e “Os Doze Condenados” (1967), neste “Os Oito Odiados” num estilo próprio por capítulos, descrevem-se os sucessivos acontecimentos que levam um grupo de viajantes a juntar-se a um caçador de prémios e outros, num grupo de oito, e à medida que as condições meteorológicas pioram, por causa de um nevão, são obrigados a procurar abrigo. Os problemas ocorrem, quando ao se conhecerem melhor, os confrontos começam a surgir. Com a assinatura do incomparável Quentin Tarantino.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Livros que nos devoram por Luísa Félix (#01/2016)

Crónica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel García Marquéz


«No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por uns instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros. «Sonhava sempre com árvores», disse-me a mãe, Plácida Linero, recordando 27 anos depois os pormenores daquela segunda-feira ingrata. [...] Tinha uma reputação bastante bem ganha de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que lhos contassem em jejum, mas não descobrira qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos restantes com árvores que ele lhe contara nas manhãs que precederam a sua morte.»






Marquéz, Gabriel García, Crónica de Uma Morte Anunciada, Dom Quixote (tradução de Fernando Assis Pacheco)


À semelhança do que acontece noutras obras do autor e muito na literatura sul americana, em Crónica de Uma Morte Anunciada desenvolvem-se algumas temáticas que se associam a um universo fechado e conservador, onde sobrevive um certo primitivismo: o realismo mágico, a justiça que se faz pelas próprias mãos, os sinais de tragédia eminente, a crença em presságios e no poder de adivinhação, a superação da desonra pelos crimes de sangue, a supremacia e virilidade masculinas que se afirmam pelo assédio e pela violência.

A história é contada, pelo recurso à analepse, por um narrador participante, que terá privado com o protagonista e que opta por um tom jornalístico, objetivo, sem divagações, reconstruindo os acontecimentos socorrendo-se da própria memória e dos relatos das diferentes personagens que entrevista, mais de vinte anos depois da morte do amigo.

A novela tem como protagonista Santiago Nasar, um jovem de vinte e um anos, filho de um rico emigrante árabe. Além de belo, Santiago é culto, corajoso e prudente. Aprendera, com o pai, a manusear armas e, também influenciado por ele, desenvolvera o gosto por cavalos e pela caça de altanaria.

Na noite do casamento com Bayardo San Román, um forasteiro de quem se desconhece o passado e que desperta a desconfiança dos habitantes da localidade e a ganância dos Vicario, Angela é devolvida à mãe por já não ser virgem. Instigada pela família a denunciar o responsável pela sua desonra, a rapariga pronuncia, mentindo, o nome de Santiago Nasar, crente de que a condição social do jovem o tornará imune a qualquer castigo. Santiago Nasar passa, assim, a ser o alvo do ódio dos irmãos Pedro e .Pablo Vicario, que juram publicamente matá-lo para vingar a irmã. 

São vários os presságios que anunciam a morte do protagonista, como são muitas as personagens que conhecem a intenção dos irmãos de Angela. Porém, tudo se conjuga para que Santiago não seja avisado a tempo de se evitar a tragédia. 

Baseada num crime que ocorreu em 1951, numa pequena localidade da costa do Caribe, Crónica de Uma Morte Anunciada foi publicada em 1981 e adaptada ao cinema por Francesco Rosi, em 1987, tendo sido os principais papéis interpretados por actores como Irene Papas, Anthony Delon e Ornella Muti.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#04/2016)

Hotel London, quarto 502

Para o Pedro Serpa


I

É estranho que se possa
de repente pensar
que a felicidade consiste
em olhar, desta janela,
para o pátio interior

composto, por sua vez,
de janelas abertas ou fechadas,
sombrias ou com luz,
sob o cinzento vigilante dos telhados.

A beleza - isso que de repente
nos afronta e merecia,
aliás, outro nome - nada
deve agora às «fenêtres» do Pimodan.

Acontece, tão-só, que a cidade
se chama Paris - e a morte,
esta noite, não vencerá.

II

É claro que poderia ter dito
quase exactamente o mesmo
de um modo menos enfático,
desprovido de acenos literários
tão generosos para com
os meus detractores (que são
pessoas sérias, de aura reluzente).

Além do pátio interior e de todas
as janelas, há uma escrivaninha
que me fez sentir a obrigação moral
de um poema, nem que este
dissesse apenas que
hoje - 22 de Julho de 2008 -
estou vivo em Paris
e não quero saber de mais nada.

III

Com um pouco mais de concisão,
chegaria ao ponto de afirmar
que as janelas de Paris
são as que melhor
me fazem esquecer o mundo.

Convém, pois, demonstrar-lhes
a gratidão possível, nem que seja
assinando versos desbotados.

IV

Paris é , tentando uma síntese
derradeira, muito mais real do que
o mundo. Telhados de chumbo
que se despedem, sem regresso.

- por saberem que não há canções.

V

O poema mais interessante, porém,
seria aquele que escreve agora
quem me vê escrever nesta janela
um poema sobre Paris que não existe.


Manuel de Freitas

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#04/2016)

OOFJ - Disco To Die To - 2013





OOFJ, que se pronuncia "O of J", é uma banda Americana de "Trip-tronic" extraordinária. A crítica considerou que eles quebraram todas as regras com este trabalho de estreia acima da média. Juntam a "LA Symphony" com os ritmos que desenvolvem, dando profundidade a este álbum tão poderoso com pulsares lentos e acelerados conjugados imperialmente. Fiquem com o single "Opal Skin".