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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#06/2016)

Ribeirada - Poema num só canto


Argumento

Quando o preto Ribeiro entregue ao sono
Jazia, aparece-lhe o deus Priapo(deus grego da fertilidade)
E com uma das mãos por ser fanchono(homossexual, gay)
Agarra-lhe na cabeça do marsapo; (caralho)
Oferece-lhe depois um belo cono,
Cono sem cavalete, gordo e guapo;
Casa o preto mas a mulher, no fim de contas,
Põe-lhe na testa retorcidas pontas.


Canto Único

  • I

Ações famosas do fodaz Ribeiro,
Preto na cara, enorme no mangalho,
Eu pretendo cantar em tom grosseiro,
Se a musa me ajudar neste trabalho;
Pasme absorto escutando o mundo inteiro
A porca descrição do horrendo malho,
Que entre as pernas alberga o negro bruto
No lascivo apetite dissoluto. 

  • II

Oh! Musa galicada e fedorenta! (que tem sífilis)
Tu, que às fodas de Apolo estás sujeita,
Anima a minha voz, pois hoje intenta
Cantar esse mangaz, que a tudo arreita; (fode)
Desse vaso carnal que o membro aquenta,
Onde tanta langonha se aproveita,
Um chorrilho me dá, oh musa obscena,
Que eu com rijo tesão pego na pena. 

  • III

Em Troia, de Setúbal, bairro inculto,
Mora o preto castiço, de quem falo;
Cujo nervo é de sorte, e tem tal vulto,
Que excede o longo espeto de um cavalo;
Sem querer nos calções estar oculto,
Quando se entesa o túmido badalo,
Ora arranca os botões com fúria rija,
Ora arromba as paredes quando mija. 

  • IV

Adorna hirsuto ríspido pentelho
Os ardentes colhões do bom Ribeiro,
Que são duas maçãs de escaravelho,
Não digo na grandeza, mas no cheiro;
Ali piolhos-ladros tão vermelho
Fazem com dente agudo o pau leiteiro,
Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe
Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.

  • V

Os maiores marsapos do universo
À vista deste para trás ficaram;
E do novo Martinho em prosa e verso
Mil poetas a piça descantaram;
Quando ainda o cachorro estava no berço
Umas moças por graça lhe pegaram
Na piça já taluda, e de repente
Pelas mãos lhe correu a grossa enchente.

  • VI

De Polifemo o nervo dilatado, (um ciclope da mitologia grega)
Que tentou escachar a Galateia, (foder até a arrebentar)
Pelo mundo não deu tão grande brado
Como a piça do preto é negra e feia;
Da Cotovia o bando galicado (nome de um antigo bairro de má reputação de Setúbal)
Com respeito mil vezes o nomeia,
E ao soberbo estardalho do selvagem
As putas todas rendem vassalagem.

  • VII

O longo e denso véu da noite escura
Das estrelas bordado já se via;
E em rota cama a horrenda criatura
Os tenebrosos membros estendia;
Do caralho a grandíssima estatura
Com os lençóis encobrir-se não podia,
E a cabeça do fodaz de fora pondo
Fazia sobre o chão medonho estrondo.

  • VIII

Os ladros, que fiéis o acompanhavam
A triste colhoada a cada instante
Com agudos ferrões lhe traspassavam,
Atormentando a besta fornicante;
Na duríssima pele se entranhavam,
Suposto que com garra penetrante
O negro dos colhões a muitos saca,
E o castigo lhes dá na fera unhaca.

  • IX

Tendo o cono patente no sentido
Na barriga o tesão lhe dava murros;
E de activa luxúria enfurecido
Espalhava o cachorro aflitos urros;
Com a lembrança do vaso apetecido
O nariz encrespava como os burros;
Até que em vão berrando pelo cono,
De todo se entregou nas mãos do sono. 

  • X

Já roncando, os vizinhos acordava
O lascivo animal, que representa
Com o motim pavoroso que formava,
Trovão fero no ar, no mar tormenta;
Com alternados coices espancava
Da pobre cama a roupa fedorenta,
Que pulgas esfaimadas habitavam,
E de mil cagadelas matizavam.
 
  • XI

Eis de improviso em sonhos lhe aparece
Terrífica visão, que um braço estende,
E pela grossa carne que lhe cresce
Debaixo da barriga ao negro prende;
Acorda, põe-lhe os olhos, e estremece
Como quem ao terror se curva e rende;
Com o medo que tinha, a piça ingente
Se meteu nas encolhas de repente.

  • XII

Do tremendo fantasma a testa dura
Dois retorcidos cornos enfeitavam;
E, debaixo da pança, a mata escura
Três disformes caralhos ocupavam;
O sujo aspecto, a feia catadura,
Os rasgados olhões iluminavam;
E na terrível destra o torpe espectro
Empunhava uma piça em vez de ceptro.

  • XIII

Ergue a voz, que as paredes abalava,
E com a força do alento sibilante
Mata a pálida luz, que a um canto estava,
Em plúmbeo castiçal agonizante;
“Oh tu, rei dos caralhos (exclamava)
Perde o medo, que mostras no semblante;
Que quem hoje te agarra no marsapo
É de Vénus o filho, o deus Priapo. 

  • XIV

“Vendo a fome cruel de parrameiro*,
Que essas negras entranhas te devora,
De putas um covil deixei ligeiro,
Por fartar-te de fodas sem demora;
Consolarás o rígido madeiro
Numa fêmea gentil, que perto mora,
Mas não lho metas todo, pois receio
Que a possas escachar de meio a meio.”

*(Parrameiro é um doce típico dos açores mas que se faz em várias partes de Portugal. É suposto ter a forma de uma ferradura mas como sempre houve gente que viu na forma do bolo os quadris de uma mulher, “parrameiro” tornou-se calão no século XVIII para essa parte do corpo feminino e até dos próprios órgãos genitais da mulher.)

  • XV

Disse isto, e o negro na cama velozmente
Para beijar-lhe os pés se levantava;
Mas tropeça num banco, e de repente
No fétido bispote as ventas crava; (penico)
Não ficando da queda mui contente
Com uma gota de mijo à pressa as lava;
E, acabada a limpeza, a voz grosseira
Ao deus falou desta maneira;

  • XVI

“Socorro de famintos fodedores,
Propícia divindade, que me escutas!
Tu consolas, tu enches de favores
Ó mestre da fodenga, ó pai das putas;
Viste que, do tesão curtindo as dores,
Travava com o lençol imensas lutas;
E baixaste ligeiro, como Noto,
A dar piedoso amparo ao teu devoto. 

  • XVII

Enquanto houver tesões, e enquanto o cono
For de arreitadas piças lenitivo,
Sempre hei-de recordar-me, alto patrono,
De que és de meus gostos o motivo;
Pois dás-me glória no elevado trono,
E já, como o veado fugitivo
Que o caçador persegue, eu corro, eu corro
A procurar as bordas por quem morro.” 

  • XVIII

Deteve aqui a voz o rijo acento,
Que dos trovões o estrépito parece,
E logo diante os olhos num momento
A nocturna visão desaparece;
Deixa Ribeiro o sórdido aposento,
Que de antigos escarros se guarnece;
E nas tripas berrando-lhe o demónio
Corre logo a tratar do matrimónio. 

  • XIX

O brando coração da fêmea alcança
Com finezas, carícias e desvelos;
A qual sobre a vil cara emprega, e lança
(Tentação do demónio!) os olhos belos;
O fodedor maldito não descansa
Sem ver chegar o dia, em que os marmelos
Que tem juntos do cu, dêem cabeçadas
Entre as cândidas virilhas delicadas. 

  • XX

Chega o dia infeliz (triste badejo!
Mísera crica! Desditoso rabo!)
E ornado o rosto de um purpúreo pejo
Une-se a mão de um anjo à do diabo;
Ardendo o bruto em férvido desejo
Unta de louro azeite o longo nabo,
Para que possa entrar com mais brandura
A vermelha cerviz faminta, e dura.

  • XXI

Começa o banquete, que constava
De dois gatos achados num monturo(beco ou lixeira)
E de raspas de corno, de que usava
Em lugar de pimenta o preto impuro;
Em sujo frasco ali se divisava
Turva água-pé: fatias de pão duro
Pela mesa decrépita espalhadas
A fraca vida perdem às dentadas. 

  • XXII

Depois de ter o esposo o bucho farto,
Abrasado de amor na ardente chama,
Foge com leves passos para o quarto,
Ao colo conduzindo a bela dama;
Pelas ceroulas o voraz lagarto
A genital enxúndia já derrama;
Só por ver da consorte o gesto lindo
Ainda antes de foder já se está vindo!

  • XXIII

Jazia o velho tálamo a um canto (o leito nupcial)
Onde de pulgas esquadrão persiste,
Para ser teatro do aflito pranto
Que havia derramar a esposa triste;
Oh noite de terror, noite de espanto,
Que das fodas cruéis o estrago viste!
Permite que com métrica harmonia
Patente ponha tudo à luz do dia.

  • XXIV

Ergue-lhe a saia o renegado amante,
Estira-se a consorte ágil e pronta;
E ele a seta carnal no mesmo instante
Ao parrameiro mísero lhe aponta;
Com um só beijo do membro palpipante
Ficou subitamente a moça tonta,
E julgou (tanto em fogo ardia o nabo!)
Que encerrava entre as pernas o diabo.
 
  • XXV

Prossegue o desalmado; mas a esposa
Que não pode aturar-lhe a dura estaca,
Dando voltas ao cu muito chorosa
Com jeito o membralhão das bordas saca;
Ele irado lhe diz, com voz queixosa;
“Não é uma mulher como uma vaca?
Porque fazes traições, quando te empurro
O mastro? Quando vês que gemo, e zurro?”

  • XXVI

Então, cheio de raiva, aperta o dente,
E na gostosa, feminil masmorra,
Alargando-lhe as pernas novamente,
Com estrondosos ais encaixa a porra; (piça; pénis)
Ela, que já no corpo o fogo sente
Do marsapo lhe diz: “Queres que eu morra?
Tu não vez que me engasgo, e que estou rouca,
Porque o cruel tesão me chega à boca? 

  • XXVII

“Ah! deixa-me tomar um breve alento,
Primeiro que rendida e morta caia...”
Mas ele, na foda é um jumento,
Não tem dó da mulher, que já desmaia;
Sentindo ser chegado o fim do intento,
Do ranhoso licor lhe inunda a saia;
Porque dentro do vaso não cabia
A torrente, que rápida corria. 

  • XXVIII

De gosto o vil cachorro então se baba,
E vendo que a mulher calada fica,
“Consola-te (exclamou) que já se acaba
Esta fome voraz da minha piça.”
E com muita risada se gaba
De lhe ter esfolado a roxa crica;
Mas ela grita, ardendo-lhe o sabugo;
“Ora que casasse eu com um verdugo! (carrasco)

  • XXIX

“Fora, fora cachorro, não te aturo
Que me feres as bordas do coninho!”
E com desembaraço um teso e duro
Bofetão lhe arrumou no focinho;
Tomou em tom de graça o monstro escuro
A afrontosa pancada, e com carinho
Disse para a mulher: “Brincas comigo?
Pois torno-te a foder, por castigo.” 

  • XXX

Estas vozes ouvindo a desgraçada
De repente no chão cair se deixa;
E, temendo a mortífera estocada,
Ora abre os tristes olhos, ora os fecha;
Com suspiros depois desatinada
Da contrária fortuna ali se queixa;
Até que ele lhe diz, com meigo modo;
“Levanta-te do chão, que não te fodo.”

  • XXXI

Alma nova cobrou, como uma lebre aflita,
Que das unhas dos cães se vê liberta;
E apalpando a conaça (oh que desdita!)
Mais que boca de barra a encontra aberta;
Mas consola-se um pouco, e já medita
Em fugir da ruína, que é tão certa;
E em vingar-se do horrível brutamonte,
Ornando-lhe de cornos toda a fronte
.
  • XXXII

Tem conseguido a bárbara vingança
A traidora mulher, como queria;
E o negro com a paciência branda e mansa,
Sofrendo os cornos vai de dia em dia;
Bem mostra no que faz não ser criança,
Que de nada o rigor lhe serviria;
Porque se uma mulher quiser perder-se,
Até feita em picado há de foder-se.
 
  • XXXIII

Agora vós, fodões encarniçados,
Que julgais agradar às moças belas
Por terdes uns marsapos, que estirados (flácidos)
Vão pregar com os focinhos nas canelas;
Conhecereis aqui desenganados
Que não são tais porrões do gosto delas;
Que lhes não pode, enfim, causar recreio
Aquele que passar de palmo e meio.


Manuel Maria Barbosa du Bocage

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#06/2016)

My Bubba & Mi - How It´s Done In Italy - 2013





My Bubba & Mi são um duo Sueco de extrema qualidade. O álbum de estreia teve fortes recepções. O cariz melódico neste trabalho é divinal, recorrendo à acústica, a um baixo poderoso e uma voz alucinante. A crítica chega a afirmar que as músicas criadas podem ser como um símbolo dos anos 40, "How It´s Done In Italy" promete ao ouvinte o regozijo com este achado. Fiquem com "Gone".


SCREEN SHOT por A.A.M. (#06/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: Mad Dogs (2015)
Criador: Cris Cole


Numa recriação da série britânica com o mesmo nome, Mad Dogs junta nesta nova versão os atores Steve Zahn (Dallas Buyers Club), Michael Imperioli (The Sopranos), Billy Zane (Twin Peaks) e Ben Chaplin cujas personagens, vão juntas visitar um amigo a Belize, América Central. Até aqui tudo bem, não fosse uma série de acontecimentos que tornam esta viagem, que seria de celebração da pré-reforma de um amigo num destino paradisíaco, numa louca aventura pondo em risco a sua normalidade, integridade e até as suas próprias vidas. Drama, comédia, mistério, aventura… é uma série que integra praticamente todos os estilos numa conjunção de tramas e cores que cativam o espetador desde os primeiros minutos. Um série em desenvolvimento a acompanhar.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Animagem (#03/2016)

Vencedora do Oscar em 2009 para melhor curta-metragem de animação, tornando o seu realizador, Kunio Kato, o primeiro asiático a conquistar o galardão, Tsumiki no ie (*Uma casa em cubículos) é uma belíssima história sobre a vida e as memórias que nos criam e moldam.




(*Tradução livre.)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#05/2016)

Desencontros no amor


Triste de quem me quer bem
E sou tão vários num só eu
Que quando alguém me tem
Ama outros que não escolheu

Alheio sou o que não vivi

O sonho de amor de que nasci!


Valter Guerreiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#05/2016)

The Growlers - Hung At Heart - 2013




Os The Growlers são uma banda Americana de "Rock Psicadélico" e em 2013 lançaram "Hung At Heart". Caracterizados como uma banda com um futuro brilhante, "Hung At Heart" é um álbum intenso e carismático, a voz de Nielsen é arrastada e tem calibre para se manter no topo do panorama de vozes como a de Casablancas (The Strokes), ou Young (The Vaccines). Este trabalho é forte como podem comprovar pela "One Million Lovers".


SCREEN SHOT por A.A.M. (#05/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: The Hateful Eight [Os Oito Odiados] (2015)
Realização: Quentin Tarantino


Sem necessitar de apresentações, Tarantino regressa com um dos seus géneros assumidamente preferidos, o western. Consigo traz os suspeitos do costume: Samuel L. Jackson, Tim Roth, Michael Madsen a que se juntam novos participantes com este realizador. Inspirado em “Sete Homens e um Destino” (1960) e “Os Doze Condenados” (1967), neste “Os Oito Odiados” num estilo próprio por capítulos, descrevem-se os sucessivos acontecimentos que levam um grupo de viajantes a juntar-se a um caçador de prémios e outros, num grupo de oito, e à medida que as condições meteorológicas pioram, por causa de um nevão, são obrigados a procurar abrigo. Os problemas ocorrem, quando ao se conhecerem melhor, os confrontos começam a surgir. Com a assinatura do incomparável Quentin Tarantino.