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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#08/2016)

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#08/2016)

This Is Head - The Album Id - 2013




Oriundos da Suécia, This Is Head são uma banda de Indie Rock extremamente poderosa que nos encaminha pelas emoções que transmitem. Lançaram em 2013 o seu segundo álbum, "The Album Id", um trabalho expressivo que recorre a diferentes dinâmicas para captar as nossas atenções com músicas cheias de surpresas inesperadas, mas não menos fantásticas. A comprovar o mencionado, o tema de abertura "A-B Version".


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires 1/10 (Obra de Paulo Seara)

Em data de segundo aniversário. a Pomar de Letras regressa às "séries" e desta vez vem sem pudores nem realismos. Escrita por Paulo Seara, com inspiração em alguns dos conselhos deixados por Bruno Aleixo. Eis uma obra surreal, literalmente.


Conto do Beijo Negro, com Três Grandes Conselhos de Aires



1


O Aires era um perverso, mexia as bebidas com a pila e fazia beijos negros, mas ontem fodeu-se porque teve vontade de mijar atrás do balcão e morreu electrocutado, por outro lado, morreu com uma reputação imaculada, à excepção daquilo que a ex-namorada sabe dele. Mas concluo que não falará dos seus vícios por embaraço. No entanto, nem ela sabe onde estão as fotos dele nu a dormir, que o deixariam muito mais exposto, inseguro e débil. Mas como está morto, para quê preocupar-se com isso.

SCREEN SHOT por A.A.M. (#08/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Le Petit Prince [O Principezinho] (2015)
Realização: Mark Osborne


História, mundialmente conhecida por crianças e adultos, fez crescer a imaginação e voar todos os nossos sonhos, chega ao cinema em formato animação stop-motion. Com o argumento baseado no livro original de Antoine de Saint-Exupéry, de 1943, Mark Osborne, que nos trouxe também o filme do Sponge Bob (2004) e do Panda do Kung Fu (2008), refaz um conto eterno com nuance do seu estilo próprio. Na história, uma jovem aviadora encontra um piloto ancião que lhe conta a aventura de um pequeno príncipe. Com um elenco fantástico a dar voz a este projeto encontram-se nomes como: Marion Cotillard, James Franco, Jeff Bridges e Benicio del Toro entre outros. É uma tentativa ambiciosa igualar o potencial de imaginação de uma criança que desde bem cedo, quando ouve esta lenda, começa por si só a imaginar uma aventura inigualável. Daí deixar ao critério de cada um, a opção de ver esta versão atualizada ou ficar pelas imagens pálidas do livro que só os sonhos podem colorir.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Animagem (#04/2016)

The Life of Death, literalmente A Vida da Morte, é uma curta-metragem que nem precisa de introduções, é tal e qual o que é, é tal e qual o que diz, a vida da Morte.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#07/2016)

Nox


Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece, alguns momentos...

Oh! antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o mundo, te esquecesses,

E ele, o mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!


Antero de Quental

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#07/2016)

When Saints Go Machine - Infinity Pool - 2013


 


O que para mim foi um dos grandes álbuns de 2011, "Konkylie", tem em "Infinity Pool" o seu sucessor. E o mais recente trabalho de When Saints Go Machine, meus amigos, "WOW"! Esta banda de Electrónica está a enveredar pelos caminhos de DJ Shadow e o resultado está extraordinário. Para agora temos o single "Love And Respect" e daqui já dá para perceber que a banda não desilude. A atentar.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

SCREEN SHOT por A.A.M. (#07/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Punch-Drunk Love [Embriagado de Amor] (2002)
Realização: Paul Thomas Anderson


Escrito e realizado por Paul Thomas Anderson que também nos trouxe Magnólia (1999) e Haverá Sangue (2007), entre outros, não deixa antever através do titulo a profundidade de um drama disfarçado de comédia romântica. Adam Sandler, na personagem principal, dá-lhe esse twist, e fá-lo na companhia de outros atores como Emily Watson e Philip Seymour Hoffman. O argumento teve o seu desenvolvimento numa historia verídica em que um norte-americano ganhou milhas aéreas infinitas comprando pudins, devido a um erro de cálculo numa promoção. Partindo desse ponto, criou uma narrativa em que Barry Egan (Adam Sandler), que trabalha numa fabrica de distribuição de desentupidores nos arredores da cidade, quer comprar pudins suficientes, para com as milhas aéreas acumuladas passar o resto da vida a viajar. Entretanto, conhece Lena (Emily Watson) e surge o desenrolar de uma paixão, que a pouco e pouco se constrói, provocando diversos sentimentos de dúvida e ansiedade incompreensíveis que até ali não tinha descoberto. Pelo meio vê-se envolvido num esquema de burla em que é abordado para lhe pedirem dinheiro. Mas , apaixonado como nunca esteve, tenta agarrar-se a esse sentimento e contrariar a situação em que se encontra. Com a qualidade e imagem expressiva que este realizador já nos habituou.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ditados Impopulares (#03/2016)



"Um provérbio de alerta em relação aos rastos químicos para efeitos de alteração climática."


Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#06/2016)

Ribeirada - Poema num só canto


Argumento

Quando o preto Ribeiro entregue ao sono
Jazia, aparece-lhe o deus Priapo(deus grego da fertilidade)
E com uma das mãos por ser fanchono(homossexual, gay)
Agarra-lhe na cabeça do marsapo; (caralho)
Oferece-lhe depois um belo cono,
Cono sem cavalete, gordo e guapo;
Casa o preto mas a mulher, no fim de contas,
Põe-lhe na testa retorcidas pontas.


Canto Único

  • I

Ações famosas do fodaz Ribeiro,
Preto na cara, enorme no mangalho,
Eu pretendo cantar em tom grosseiro,
Se a musa me ajudar neste trabalho;
Pasme absorto escutando o mundo inteiro
A porca descrição do horrendo malho,
Que entre as pernas alberga o negro bruto
No lascivo apetite dissoluto. 

  • II

Oh! Musa galicada e fedorenta! (que tem sífilis)
Tu, que às fodas de Apolo estás sujeita,
Anima a minha voz, pois hoje intenta
Cantar esse mangaz, que a tudo arreita; (fode)
Desse vaso carnal que o membro aquenta,
Onde tanta langonha se aproveita,
Um chorrilho me dá, oh musa obscena,
Que eu com rijo tesão pego na pena. 

  • III

Em Troia, de Setúbal, bairro inculto,
Mora o preto castiço, de quem falo;
Cujo nervo é de sorte, e tem tal vulto,
Que excede o longo espeto de um cavalo;
Sem querer nos calções estar oculto,
Quando se entesa o túmido badalo,
Ora arranca os botões com fúria rija,
Ora arromba as paredes quando mija. 

  • IV

Adorna hirsuto ríspido pentelho
Os ardentes colhões do bom Ribeiro,
Que são duas maçãs de escaravelho,
Não digo na grandeza, mas no cheiro;
Ali piolhos-ladros tão vermelho
Fazem com dente agudo o pau leiteiro,
Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe
Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.

  • V

Os maiores marsapos do universo
À vista deste para trás ficaram;
E do novo Martinho em prosa e verso
Mil poetas a piça descantaram;
Quando ainda o cachorro estava no berço
Umas moças por graça lhe pegaram
Na piça já taluda, e de repente
Pelas mãos lhe correu a grossa enchente.

  • VI

De Polifemo o nervo dilatado, (um ciclope da mitologia grega)
Que tentou escachar a Galateia, (foder até a arrebentar)
Pelo mundo não deu tão grande brado
Como a piça do preto é negra e feia;
Da Cotovia o bando galicado (nome de um antigo bairro de má reputação de Setúbal)
Com respeito mil vezes o nomeia,
E ao soberbo estardalho do selvagem
As putas todas rendem vassalagem.

  • VII

O longo e denso véu da noite escura
Das estrelas bordado já se via;
E em rota cama a horrenda criatura
Os tenebrosos membros estendia;
Do caralho a grandíssima estatura
Com os lençóis encobrir-se não podia,
E a cabeça do fodaz de fora pondo
Fazia sobre o chão medonho estrondo.

  • VIII

Os ladros, que fiéis o acompanhavam
A triste colhoada a cada instante
Com agudos ferrões lhe traspassavam,
Atormentando a besta fornicante;
Na duríssima pele se entranhavam,
Suposto que com garra penetrante
O negro dos colhões a muitos saca,
E o castigo lhes dá na fera unhaca.

  • IX

Tendo o cono patente no sentido
Na barriga o tesão lhe dava murros;
E de activa luxúria enfurecido
Espalhava o cachorro aflitos urros;
Com a lembrança do vaso apetecido
O nariz encrespava como os burros;
Até que em vão berrando pelo cono,
De todo se entregou nas mãos do sono. 

  • X

Já roncando, os vizinhos acordava
O lascivo animal, que representa
Com o motim pavoroso que formava,
Trovão fero no ar, no mar tormenta;
Com alternados coices espancava
Da pobre cama a roupa fedorenta,
Que pulgas esfaimadas habitavam,
E de mil cagadelas matizavam.
 
  • XI

Eis de improviso em sonhos lhe aparece
Terrífica visão, que um braço estende,
E pela grossa carne que lhe cresce
Debaixo da barriga ao negro prende;
Acorda, põe-lhe os olhos, e estremece
Como quem ao terror se curva e rende;
Com o medo que tinha, a piça ingente
Se meteu nas encolhas de repente.

  • XII

Do tremendo fantasma a testa dura
Dois retorcidos cornos enfeitavam;
E, debaixo da pança, a mata escura
Três disformes caralhos ocupavam;
O sujo aspecto, a feia catadura,
Os rasgados olhões iluminavam;
E na terrível destra o torpe espectro
Empunhava uma piça em vez de ceptro.

  • XIII

Ergue a voz, que as paredes abalava,
E com a força do alento sibilante
Mata a pálida luz, que a um canto estava,
Em plúmbeo castiçal agonizante;
“Oh tu, rei dos caralhos (exclamava)
Perde o medo, que mostras no semblante;
Que quem hoje te agarra no marsapo
É de Vénus o filho, o deus Priapo. 

  • XIV

“Vendo a fome cruel de parrameiro*,
Que essas negras entranhas te devora,
De putas um covil deixei ligeiro,
Por fartar-te de fodas sem demora;
Consolarás o rígido madeiro
Numa fêmea gentil, que perto mora,
Mas não lho metas todo, pois receio
Que a possas escachar de meio a meio.”

*(Parrameiro é um doce típico dos açores mas que se faz em várias partes de Portugal. É suposto ter a forma de uma ferradura mas como sempre houve gente que viu na forma do bolo os quadris de uma mulher, “parrameiro” tornou-se calão no século XVIII para essa parte do corpo feminino e até dos próprios órgãos genitais da mulher.)

  • XV

Disse isto, e o negro na cama velozmente
Para beijar-lhe os pés se levantava;
Mas tropeça num banco, e de repente
No fétido bispote as ventas crava; (penico)
Não ficando da queda mui contente
Com uma gota de mijo à pressa as lava;
E, acabada a limpeza, a voz grosseira
Ao deus falou desta maneira;

  • XVI

“Socorro de famintos fodedores,
Propícia divindade, que me escutas!
Tu consolas, tu enches de favores
Ó mestre da fodenga, ó pai das putas;
Viste que, do tesão curtindo as dores,
Travava com o lençol imensas lutas;
E baixaste ligeiro, como Noto,
A dar piedoso amparo ao teu devoto. 

  • XVII

Enquanto houver tesões, e enquanto o cono
For de arreitadas piças lenitivo,
Sempre hei-de recordar-me, alto patrono,
De que és de meus gostos o motivo;
Pois dás-me glória no elevado trono,
E já, como o veado fugitivo
Que o caçador persegue, eu corro, eu corro
A procurar as bordas por quem morro.” 

  • XVIII

Deteve aqui a voz o rijo acento,
Que dos trovões o estrépito parece,
E logo diante os olhos num momento
A nocturna visão desaparece;
Deixa Ribeiro o sórdido aposento,
Que de antigos escarros se guarnece;
E nas tripas berrando-lhe o demónio
Corre logo a tratar do matrimónio. 

  • XIX

O brando coração da fêmea alcança
Com finezas, carícias e desvelos;
A qual sobre a vil cara emprega, e lança
(Tentação do demónio!) os olhos belos;
O fodedor maldito não descansa
Sem ver chegar o dia, em que os marmelos
Que tem juntos do cu, dêem cabeçadas
Entre as cândidas virilhas delicadas. 

  • XX

Chega o dia infeliz (triste badejo!
Mísera crica! Desditoso rabo!)
E ornado o rosto de um purpúreo pejo
Une-se a mão de um anjo à do diabo;
Ardendo o bruto em férvido desejo
Unta de louro azeite o longo nabo,
Para que possa entrar com mais brandura
A vermelha cerviz faminta, e dura.

  • XXI

Começa o banquete, que constava
De dois gatos achados num monturo(beco ou lixeira)
E de raspas de corno, de que usava
Em lugar de pimenta o preto impuro;
Em sujo frasco ali se divisava
Turva água-pé: fatias de pão duro
Pela mesa decrépita espalhadas
A fraca vida perdem às dentadas. 

  • XXII

Depois de ter o esposo o bucho farto,
Abrasado de amor na ardente chama,
Foge com leves passos para o quarto,
Ao colo conduzindo a bela dama;
Pelas ceroulas o voraz lagarto
A genital enxúndia já derrama;
Só por ver da consorte o gesto lindo
Ainda antes de foder já se está vindo!

  • XXIII

Jazia o velho tálamo a um canto (o leito nupcial)
Onde de pulgas esquadrão persiste,
Para ser teatro do aflito pranto
Que havia derramar a esposa triste;
Oh noite de terror, noite de espanto,
Que das fodas cruéis o estrago viste!
Permite que com métrica harmonia
Patente ponha tudo à luz do dia.

  • XXIV

Ergue-lhe a saia o renegado amante,
Estira-se a consorte ágil e pronta;
E ele a seta carnal no mesmo instante
Ao parrameiro mísero lhe aponta;
Com um só beijo do membro palpipante
Ficou subitamente a moça tonta,
E julgou (tanto em fogo ardia o nabo!)
Que encerrava entre as pernas o diabo.
 
  • XXV

Prossegue o desalmado; mas a esposa
Que não pode aturar-lhe a dura estaca,
Dando voltas ao cu muito chorosa
Com jeito o membralhão das bordas saca;
Ele irado lhe diz, com voz queixosa;
“Não é uma mulher como uma vaca?
Porque fazes traições, quando te empurro
O mastro? Quando vês que gemo, e zurro?”

  • XXVI

Então, cheio de raiva, aperta o dente,
E na gostosa, feminil masmorra,
Alargando-lhe as pernas novamente,
Com estrondosos ais encaixa a porra; (piça; pénis)
Ela, que já no corpo o fogo sente
Do marsapo lhe diz: “Queres que eu morra?
Tu não vez que me engasgo, e que estou rouca,
Porque o cruel tesão me chega à boca? 

  • XXVII

“Ah! deixa-me tomar um breve alento,
Primeiro que rendida e morta caia...”
Mas ele, na foda é um jumento,
Não tem dó da mulher, que já desmaia;
Sentindo ser chegado o fim do intento,
Do ranhoso licor lhe inunda a saia;
Porque dentro do vaso não cabia
A torrente, que rápida corria. 

  • XXVIII

De gosto o vil cachorro então se baba,
E vendo que a mulher calada fica,
“Consola-te (exclamou) que já se acaba
Esta fome voraz da minha piça.”
E com muita risada se gaba
De lhe ter esfolado a roxa crica;
Mas ela grita, ardendo-lhe o sabugo;
“Ora que casasse eu com um verdugo! (carrasco)

  • XXIX

“Fora, fora cachorro, não te aturo
Que me feres as bordas do coninho!”
E com desembaraço um teso e duro
Bofetão lhe arrumou no focinho;
Tomou em tom de graça o monstro escuro
A afrontosa pancada, e com carinho
Disse para a mulher: “Brincas comigo?
Pois torno-te a foder, por castigo.” 

  • XXX

Estas vozes ouvindo a desgraçada
De repente no chão cair se deixa;
E, temendo a mortífera estocada,
Ora abre os tristes olhos, ora os fecha;
Com suspiros depois desatinada
Da contrária fortuna ali se queixa;
Até que ele lhe diz, com meigo modo;
“Levanta-te do chão, que não te fodo.”

  • XXXI

Alma nova cobrou, como uma lebre aflita,
Que das unhas dos cães se vê liberta;
E apalpando a conaça (oh que desdita!)
Mais que boca de barra a encontra aberta;
Mas consola-se um pouco, e já medita
Em fugir da ruína, que é tão certa;
E em vingar-se do horrível brutamonte,
Ornando-lhe de cornos toda a fronte
.
  • XXXII

Tem conseguido a bárbara vingança
A traidora mulher, como queria;
E o negro com a paciência branda e mansa,
Sofrendo os cornos vai de dia em dia;
Bem mostra no que faz não ser criança,
Que de nada o rigor lhe serviria;
Porque se uma mulher quiser perder-se,
Até feita em picado há de foder-se.
 
  • XXXIII

Agora vós, fodões encarniçados,
Que julgais agradar às moças belas
Por terdes uns marsapos, que estirados (flácidos)
Vão pregar com os focinhos nas canelas;
Conhecereis aqui desenganados
Que não são tais porrões do gosto delas;
Que lhes não pode, enfim, causar recreio
Aquele que passar de palmo e meio.


Manuel Maria Barbosa du Bocage

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#06/2016)

My Bubba & Mi - How It´s Done In Italy - 2013





My Bubba & Mi são um duo Sueco de extrema qualidade. O álbum de estreia teve fortes recepções. O cariz melódico neste trabalho é divinal, recorrendo à acústica, a um baixo poderoso e uma voz alucinante. A crítica chega a afirmar que as músicas criadas podem ser como um símbolo dos anos 40, "How It´s Done In Italy" promete ao ouvinte o regozijo com este achado. Fiquem com "Gone".


SCREEN SHOT por A.A.M. (#06/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: Mad Dogs (2015)
Criador: Cris Cole


Numa recriação da série britânica com o mesmo nome, Mad Dogs junta nesta nova versão os atores Steve Zahn (Dallas Buyers Club), Michael Imperioli (The Sopranos), Billy Zane (Twin Peaks) e Ben Chaplin cujas personagens, vão juntas visitar um amigo a Belize, América Central. Até aqui tudo bem, não fosse uma série de acontecimentos que tornam esta viagem, que seria de celebração da pré-reforma de um amigo num destino paradisíaco, numa louca aventura pondo em risco a sua normalidade, integridade e até as suas próprias vidas. Drama, comédia, mistério, aventura… é uma série que integra praticamente todos os estilos numa conjunção de tramas e cores que cativam o espetador desde os primeiros minutos. Um série em desenvolvimento a acompanhar.


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Animagem (#03/2016)

Vencedora do Oscar em 2009 para melhor curta-metragem de animação, tornando o seu realizador, Kunio Kato, o primeiro asiático a conquistar o galardão, Tsumiki no ie (*Uma casa em cubículos) é uma belíssima história sobre a vida e as memórias que nos criam e moldam.




(*Tradução livre.)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#05/2016)

Desencontros no amor


Triste de quem me quer bem
E sou tão vários num só eu
Que quando alguém me tem
Ama outros que não escolheu

Alheio sou o que não vivi

O sonho de amor de que nasci!


Valter Guerreiro

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#05/2016)

The Growlers - Hung At Heart - 2013




Os The Growlers são uma banda Americana de "Rock Psicadélico" e em 2013 lançaram "Hung At Heart". Caracterizados como uma banda com um futuro brilhante, "Hung At Heart" é um álbum intenso e carismático, a voz de Nielsen é arrastada e tem calibre para se manter no topo do panorama de vozes como a de Casablancas (The Strokes), ou Young (The Vaccines). Este trabalho é forte como podem comprovar pela "One Million Lovers".


SCREEN SHOT por A.A.M. (#05/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: The Hateful Eight [Os Oito Odiados] (2015)
Realização: Quentin Tarantino


Sem necessitar de apresentações, Tarantino regressa com um dos seus géneros assumidamente preferidos, o western. Consigo traz os suspeitos do costume: Samuel L. Jackson, Tim Roth, Michael Madsen a que se juntam novos participantes com este realizador. Inspirado em “Sete Homens e um Destino” (1960) e “Os Doze Condenados” (1967), neste “Os Oito Odiados” num estilo próprio por capítulos, descrevem-se os sucessivos acontecimentos que levam um grupo de viajantes a juntar-se a um caçador de prémios e outros, num grupo de oito, e à medida que as condições meteorológicas pioram, por causa de um nevão, são obrigados a procurar abrigo. Os problemas ocorrem, quando ao se conhecerem melhor, os confrontos começam a surgir. Com a assinatura do incomparável Quentin Tarantino.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Livros que nos devoram por Luísa Félix (#01/2016)

Crónica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel García Marquéz


«No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por uns instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros. «Sonhava sempre com árvores», disse-me a mãe, Plácida Linero, recordando 27 anos depois os pormenores daquela segunda-feira ingrata. [...] Tinha uma reputação bastante bem ganha de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que lhos contassem em jejum, mas não descobrira qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos restantes com árvores que ele lhe contara nas manhãs que precederam a sua morte.»






Marquéz, Gabriel García, Crónica de Uma Morte Anunciada, Dom Quixote (tradução de Fernando Assis Pacheco)


À semelhança do que acontece noutras obras do autor e muito na literatura sul americana, em Crónica de Uma Morte Anunciada desenvolvem-se algumas temáticas que se associam a um universo fechado e conservador, onde sobrevive um certo primitivismo: o realismo mágico, a justiça que se faz pelas próprias mãos, os sinais de tragédia eminente, a crença em presságios e no poder de adivinhação, a superação da desonra pelos crimes de sangue, a supremacia e virilidade masculinas que se afirmam pelo assédio e pela violência.

A história é contada, pelo recurso à analepse, por um narrador participante, que terá privado com o protagonista e que opta por um tom jornalístico, objetivo, sem divagações, reconstruindo os acontecimentos socorrendo-se da própria memória e dos relatos das diferentes personagens que entrevista, mais de vinte anos depois da morte do amigo.

A novela tem como protagonista Santiago Nasar, um jovem de vinte e um anos, filho de um rico emigrante árabe. Além de belo, Santiago é culto, corajoso e prudente. Aprendera, com o pai, a manusear armas e, também influenciado por ele, desenvolvera o gosto por cavalos e pela caça de altanaria.

Na noite do casamento com Bayardo San Román, um forasteiro de quem se desconhece o passado e que desperta a desconfiança dos habitantes da localidade e a ganância dos Vicario, Angela é devolvida à mãe por já não ser virgem. Instigada pela família a denunciar o responsável pela sua desonra, a rapariga pronuncia, mentindo, o nome de Santiago Nasar, crente de que a condição social do jovem o tornará imune a qualquer castigo. Santiago Nasar passa, assim, a ser o alvo do ódio dos irmãos Pedro e .Pablo Vicario, que juram publicamente matá-lo para vingar a irmã. 

São vários os presságios que anunciam a morte do protagonista, como são muitas as personagens que conhecem a intenção dos irmãos de Angela. Porém, tudo se conjuga para que Santiago não seja avisado a tempo de se evitar a tragédia. 

Baseada num crime que ocorreu em 1951, numa pequena localidade da costa do Caribe, Crónica de Uma Morte Anunciada foi publicada em 1981 e adaptada ao cinema por Francesco Rosi, em 1987, tendo sido os principais papéis interpretados por actores como Irene Papas, Anthony Delon e Ornella Muti.


A autora, Luísa Félix, pode ser seguida no seu blogue, Letras são papéis.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#04/2016)

Hotel London, quarto 502

Para o Pedro Serpa


I

É estranho que se possa
de repente pensar
que a felicidade consiste
em olhar, desta janela,
para o pátio interior

composto, por sua vez,
de janelas abertas ou fechadas,
sombrias ou com luz,
sob o cinzento vigilante dos telhados.

A beleza - isso que de repente
nos afronta e merecia,
aliás, outro nome - nada
deve agora às «fenêtres» do Pimodan.

Acontece, tão-só, que a cidade
se chama Paris - e a morte,
esta noite, não vencerá.

II

É claro que poderia ter dito
quase exactamente o mesmo
de um modo menos enfático,
desprovido de acenos literários
tão generosos para com
os meus detractores (que são
pessoas sérias, de aura reluzente).

Além do pátio interior e de todas
as janelas, há uma escrivaninha
que me fez sentir a obrigação moral
de um poema, nem que este
dissesse apenas que
hoje - 22 de Julho de 2008 -
estou vivo em Paris
e não quero saber de mais nada.

III

Com um pouco mais de concisão,
chegaria ao ponto de afirmar
que as janelas de Paris
são as que melhor
me fazem esquecer o mundo.

Convém, pois, demonstrar-lhes
a gratidão possível, nem que seja
assinando versos desbotados.

IV

Paris é , tentando uma síntese
derradeira, muito mais real do que
o mundo. Telhados de chumbo
que se despedem, sem regresso.

- por saberem que não há canções.

V

O poema mais interessante, porém,
seria aquele que escreve agora
quem me vê escrever nesta janela
um poema sobre Paris que não existe.


Manuel de Freitas