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terça-feira, 22 de março de 2016

Poesia de primeira, à Terça-Feira (#12/2016)

Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.


O dia quente amolece
Entre os ramos da ameixeira
E o sol das folhas tece
Uma repousante esteira.
Em que me deito por dentro
E me levanto por fora,
Do seu tronco, o meu centro,
Em ramagem indo embora.
Plácidas flores lhe colhi,
Frutados sabores provei,
Sob a sombra que escolhi
Quando por ali passei.


Hugo Carabineiro




insones


Fumam à janela, o vento frio
desfaz o fumo, os dedos tremem.
Não sabem uns dos outros,
espalhados pela cidade, mas
procuram as luzes ainda acesas
noutras casas. Noite dentro,
o silêncio dos que dormem
é uma afronta, desleixo pueril
de quem consegue ignorar
as facadas do tempo, a areia
entre os dedos, o sobressalto.


José Mário Silva

Ditados Impopulares (#06/2016)



"Um provérbio que não se evade à vontade de comer."


Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)

segunda-feira, 21 de março de 2016

SCREEN SHOT por A.A.M. (Especial Primavera 2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Para comemorar o Equinócito da Primavera deixamos uma sugestão multifacetada conjuntamente celebrando o dia mundial da poesia com as propostas que se seguem: 


Um poema presente num filme 

Before Sunrise (1995) – Richard Lnklater
“As I Walked Out One Evening” - W. H Auden 




As I Walked Out One Evening 


As I walked out one evening, 
Walking down Bristol Street, 
The crowds upon the pavement 
Were fields of harvest wheat. 

And down by the brimming river 
I heard a lover sing 
Under an arch of the railway: 
'Love has no ending. 

'I'll love you, dear, I'll love you 
Till China and Africa meet, 
And the river jumps over the mountain 
And the salmon sing in the street, 

'I'll love you till the ocean 
Is folded and hung up to dry 
And the seven stars go squawking 
Like geese about the sky. 

'The years shall run like rabbits, 
For in my arms I hold 
The Flower of the Ages, 
And the first love of the world.' 

But all the clocks in the city 
Began to whirr and chime: 
'O let not Time deceive you, 
You cannot conquer Time. 

'In the burrows of the Nightmare 
Where Justice naked is, 
Time watches from the shadow 
And coughs when you would kiss. 

'In headaches and in worry 
Vaguely life leaks away, 
And Time will have his fancy 
To-morrow or to-day. 

'Into many a green valley 
Drifts the appalling snow; 
Time breaks the threaded dances 
And the diver's brilliant bow. 

'O plunge your hands in water, 
Plunge them in up to the wrist; 
Stare, stare in the basin 
And wonder what you've missed. 

'The glacier knocks in the cupboard, 
The desert sighs in the bed, 
And the crack in the tea-cup opens 
A lane to the land of the dead. 

'Where the beggars raffle the banknotes 
And the Giant is enchanting to Jack, 
And the Lily-white Boy is a Roarer, 
And Jill goes down on her back. 

'O look, look in the mirror? 
O look in your distress: 
Life remains a blessing 
Although you cannot bless. 

'O stand, stand at the window 
As the tears scald and start; 
You shall love your crooked neighbour 
With your crooked heart.' 

It was late, late in the evening, 
The lovers they were gone; 
The clocks had ceased their chiming, 
And the deep river ran on.


W. H Auden


Um filme em formato poema:


“Vincent” curta metragem por Tim Burton narrado por Vincent Price




Um poema:


Os meus versos 


Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...


Florbela Espanca


Um filme:


Citizen Kane – Orson Welles 1941


Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#12/2016)

Para celebrar a entrada da Primavera e o dia mundial da poesia, durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.


Juventude no Sainsburys


Em Edimburgo


Juventude que saíste à rua com todas as profissões
São oito horas, nada tens e ficas incendiada a pensar no jantar.
A pasta fresca e os molhos abraçam o leite de uma libra
No saco laranja de um pôr-do-sol na fina película do dia

Como era ontem, agora e sempre na suturação da candura laboral
Esta juventude de cientistas vai para os quartos níveos
Aumentam os níveis de ansiedade sob o olhar atento da Igreja de Tron
E as inquietações carambolam policiadas pelos amigos distantes.

Juventude de todas as conclusões das mais curtas às longas
Não conheceste o tear, e a roda, e as palavras dos subordinados dos teus pais
Juventude de países de primeiro mundo alimentando o carbono dos mercados
Os teus exércitos populares insurgem-se para ir cantar aos jurados.

Dedica-se à palavra, não; então à rima, não;
Recria-se na mesma cultura, das mesmas andaduras
Os ciclos de verduras encarreiradas. E os cabelos ondulados
E os familiares de veludos e de trajes de luzes
Azuis de orgulho, dourados de cinismo, fazem a plateia.

Ilumina-se com este chicote, esta era de novos pobres
Sem pulso para rasgar o nevoeiro, esperando o messias num pacote de bolachas.
Contemplam a terra plantada de escravos
Com corpos de vidro.

Levaste ovos para casa, mas ficaram podres.
Não te preocupes as galinhas tratam de ti.
Eu trato de ti, sou uma fralda, amparo os teus humores,
Sou a alface no teu traje de luces.
A parra do te deum olha por vós
E vós por vós olhais.

(06.07.2014)


Paulo Seara


Um homem tem de viver.


Um homem tem de viver.
E tu vê lá não te fiques
- um homem tem de viver
com um pé na Primavera.

Tem de viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.

Cheio de luz - como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio de mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.

Palavra, um homem tem de ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precaridade de todos os nomes)
o começo apenas.


Fernando Assis Pacheco

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#12/2016)

Young Galaxy - Ultramarine - 2013





Os Young Galaxy são um duo Canadiano de Indie Pop que lançou o álbum "Ultramarine" no dia 2 de Abril de 2013. Considerados como brilhantes, a voz de Catherine McCandless é hipnotizante, o que potencia a qualidade das músicas criadas para este trabalho. Young Galaxy mostra maturidade e objectivos nítidos neste "Ultramarine" que conquistou a crítica e aumentou a legião de fãs. Fiquem com "New Summer".


sábado, 19 de março de 2016

Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires 5/10 (Obra de Paulo Seara)

Lê, ou relê, as partes anteriores; 123; 4;


Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires



5


Certo dia o Aires perguntou à namorada se sabia o que era um Beijo Negro. Ela pensou que era uma mamada; ficando com asco e incomodada disse-lhe que era um badalhoco. Entretanto o Aires pensou caladinho – Se soubesses que mexo as bebidas do bar com a pila passavas-te e deixavas-me. Se soubesses que mijo nas feridas para sará-las. Chamar-me-ias porco imundo, abjecto e anormal. Mas eu sei que me amas apesar das minhas estouvadas ideias, porque gostas de te agarrar a um homem nu durante as noites quentes dos meses de verão.

SCREEN SHOT por A.A.M. (#12/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Balada de Um Batráquio (2016)
Realização: Leonor Teles


Foi uma das surpresas da última edição da Festa Internacional de Cinema de Berlim – Berninale, e sem dúvida um dos momentos mais inesquecíveis para a jovem artista Leonor Teles. No seu discurso, agradeceu incrédula o prémio, coletando os louros de uma aclamação que no decorrer do próprio festival já viera recolhendo de outros participantes e espetadores. A Balada de Um Batráquio, relata a muito presente e atual discriminação para com a comunidade cigana, fazendo-se demonstrar através da figura de um sapo de loiça. Tendo Leonor Teles origem cigana, pois seu pai é cigano, decide expor o que desde jovem vem reconhecendo como uma mensagem subliminar exposta em vários estabelecimentos públicos sobre a forma dessa estátua figura de sapo verde. O que ela faz, neste pequeno filme de 11 minutos, é não só um protesto como uma aclamação. Uma balada que agora fica para a história do cinema português e internacional.