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domingo, 27 de março de 2016

SCREEN SHOT por A.A.M. (#13/2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Clássico: The Greatest Story Ever Told [A Maior História de Todos os Tempos] (1965)
Realização: George StevensDavid Lean e Jean Negulesco (não creditados)


Páscoa não seria Páscoa sem as tardes de filmes de temática apropriada à época sobre a vida de Jesus Cristo. O clássico deste fim de semana santo, A Maior História de Todos os Tempos, tem também presença regular nas nossas televisões. De duração quase sempre muito extensa, este como outros, relata toda a história desde o nascimento, a vida, morte e ressurreição de Jesus. Várias nomeações tornam este filme um êxito de 1965 onde protagonizavam Max von Sydow, Martin Landau, Charlton Heston, Claude Rains. Para além de folares, filhós e doçaria de vários géneros, em tardes de repasto longos minutos relembravam a mais bela história que desde bem pequenos era atualizada nesta altura. Um clássico para a eternidade.




Nota do Editor:

Nesta edição de 2016, o treze revelou-se um número fatídico para a rubrica SCREEN SHOT, infelizmente, compromissos profissionais tornaram inviável a continuação da colaboração do André com a Pomar e, consequentemente, o término desta rubrica. Resta-nos agradecer ao André a sua colaboração connosco e desejar-lhe felicidades e um futuro promissor, enquanto esperamos que ele possa voltar a colaborar connosco. Entretanto, ainda sem uma proposta alternativa, a sessão de cinema vai para intervalo na Pomar de Letras e retomará assim que possível.
Aproveito ainda para pedir desculpa pelos atrasos nas publicações, mas motivos profissionais, também, complicam as rotinas do blogue.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Poesia de primeira, à Sexta-Feira (#12/2016)

Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.




Uniões I



Ideias, conceitos, vogo até ao termo despropositado de vulgares ideais idealizados, deambulatórios no pináculo sobriamente divagado nas curvas que te comandam… vozes aleatórias que perseguem o corpo, tributos turvos de atribulados espaços errantes, captas a instância, prevaleces na figura, observas atentamente aquele ponto que te persegue, deslumbras-te no vazio e consomes-te no tecido… Espraias-te no zimbório tocando com teus dedos, humedecidos no sexo, as extremidades das constelações esquecidas e deixas-te guiar para o papel. Pelo papel renasces bela, adormecida, dormindo num pesadelo de cetim, onde tu, Cronos, regurgitando teus filhos, te perdes na embriaguez das vagas encrespando seu abraço em teu redor. Num suave toque de seda, deixas-te deslumbrar pela ausência idealizada em mecanismos anatematizados pelo torpor do ódio enquanto olhas, captando o vazio. Deixas que o algodão te toque, doce como o mar.


Nuno Baptista e Rogério Paulo E. Martins


Espaços em Branco


Ao fim da noite, no frio do táxi, pousas 
a cabeça no meu ombro - e assim entramos 
duma vez e inteiramente na nossa vida. 
Lá fora, pelo contrário, tudo perde realidade; 

há em toda a parte um sossego abstracto, 
as ruas parecem pintadas - betão entre 
as árvores - numa tela baça. Vamos por lugares 
que não reconheço, a minha geografia é vaga 

e omissa como a dos velhos cartógrafos 
que desenhavam um mundo cheio de espaços 
em branco. É onde estamos agora, num 
intervalo do mapa rente à primeira manhã - 

que será a nossa e também a última.


Rui Pires Cabral

quinta-feira, 24 de março de 2016

Poesia de primeira, à Quinta-Feira (#12/2016)

Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.


Há um esquisso de intimidade


Há um esquisso de intimidade
nesse aroma de café
que inaugura a manhã e que,
a conta-gotas,
se imiscui no cheiro
permanente dos livros.

Há um secreto aconchego
nessa luz de sol morno
que entra pela janela,
nesse silêncio cortado, a espaços,
pelas vozes abafadas dos vizinhos.

Sobram ecos da infância
no tilintar da loiça
dos almoços dos outros,
no aroma familiar
do assado de domingo,
nas conversas cruzadas
que adivinho…

E tudo, de uma vez só,
me assalta:
o torpor das tardes de estio,
o cheiro dos limos
e das malápias,
as brincadeiras depois da escola,
os rostos amigos…

E tudo, como cenas
de um filme mudo,
agarro, como, num ápice,
tudo perco…


Luísa Félix


Uma chama não chama a mesma chama


uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia

um nome não nome o mesmo nome
um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia

uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia

um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em cada chama o nome que se chama
o nome que na chama se incendeia


E.M. de Mello e Castro

quarta-feira, 23 de março de 2016

Poesia de primeira, à Quarta-Feira (#12/2016)

Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.




Água curva


Uma vez ouvi: “O equilíbrio é bom, é cair sempre para o mesmo lado.”
…recebi de forma irónica e engraçada essa informação…
…Engraçado pensar nisso quando a cor dos teus olhos muda
consoante o teu estado de espírito, 
adorei reparar nesse pormenor enquanto choravas…
…Abraçar-te é chorar sozinho…
…Fala comigo como o amor…


Albano Leal Ribeiro


O pai


Um pai morto teria sido talvez
Um melhor pai. O preferível
É um pai nado-morto.
Não pára de crescer a erva sobre a fronteira.
A erva deve ser arrancada
De novo e de novo que cresce sobre a fronteira.

Gostaria que o meu pai tivesse sido um tubarão
Que tivesse despedaçado quarenta baleeiros
(E no seu sangue eu teria aprendido a nadar)
Minha mãe uma baleia azul meu nome Lautréamont
Morto em Paris
1871 desconhecido.


Heiner Müller (Tradução de Adolfo Luxúria Canibal)


terça-feira, 22 de março de 2016

Poesia de primeira, à Terça-Feira (#12/2016)

Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.


O dia quente amolece
Entre os ramos da ameixeira
E o sol das folhas tece
Uma repousante esteira.
Em que me deito por dentro
E me levanto por fora,
Do seu tronco, o meu centro,
Em ramagem indo embora.
Plácidas flores lhe colhi,
Frutados sabores provei,
Sob a sombra que escolhi
Quando por ali passei.


Hugo Carabineiro




insones


Fumam à janela, o vento frio
desfaz o fumo, os dedos tremem.
Não sabem uns dos outros,
espalhados pela cidade, mas
procuram as luzes ainda acesas
noutras casas. Noite dentro,
o silêncio dos que dormem
é uma afronta, desleixo pueril
de quem consegue ignorar
as facadas do tempo, a areia
entre os dedos, o sobressalto.


José Mário Silva

Ditados Impopulares (#06/2016)



"Um provérbio que não se evade à vontade de comer."


Segue os Ditados Impopulares no facebook. ;)

segunda-feira, 21 de março de 2016

SCREEN SHOT por A.A.M. (Especial Primavera 2016)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Para comemorar o Equinócito da Primavera deixamos uma sugestão multifacetada conjuntamente celebrando o dia mundial da poesia com as propostas que se seguem: 


Um poema presente num filme 

Before Sunrise (1995) – Richard Lnklater
“As I Walked Out One Evening” - W. H Auden 




As I Walked Out One Evening 


As I walked out one evening, 
Walking down Bristol Street, 
The crowds upon the pavement 
Were fields of harvest wheat. 

And down by the brimming river 
I heard a lover sing 
Under an arch of the railway: 
'Love has no ending. 

'I'll love you, dear, I'll love you 
Till China and Africa meet, 
And the river jumps over the mountain 
And the salmon sing in the street, 

'I'll love you till the ocean 
Is folded and hung up to dry 
And the seven stars go squawking 
Like geese about the sky. 

'The years shall run like rabbits, 
For in my arms I hold 
The Flower of the Ages, 
And the first love of the world.' 

But all the clocks in the city 
Began to whirr and chime: 
'O let not Time deceive you, 
You cannot conquer Time. 

'In the burrows of the Nightmare 
Where Justice naked is, 
Time watches from the shadow 
And coughs when you would kiss. 

'In headaches and in worry 
Vaguely life leaks away, 
And Time will have his fancy 
To-morrow or to-day. 

'Into many a green valley 
Drifts the appalling snow; 
Time breaks the threaded dances 
And the diver's brilliant bow. 

'O plunge your hands in water, 
Plunge them in up to the wrist; 
Stare, stare in the basin 
And wonder what you've missed. 

'The glacier knocks in the cupboard, 
The desert sighs in the bed, 
And the crack in the tea-cup opens 
A lane to the land of the dead. 

'Where the beggars raffle the banknotes 
And the Giant is enchanting to Jack, 
And the Lily-white Boy is a Roarer, 
And Jill goes down on her back. 

'O look, look in the mirror? 
O look in your distress: 
Life remains a blessing 
Although you cannot bless. 

'O stand, stand at the window 
As the tears scald and start; 
You shall love your crooked neighbour 
With your crooked heart.' 

It was late, late in the evening, 
The lovers they were gone; 
The clocks had ceased their chiming, 
And the deep river ran on.


W. H Auden


Um filme em formato poema:


“Vincent” curta metragem por Tim Burton narrado por Vincent Price




Um poema:


Os meus versos 


Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...


Florbela Espanca


Um filme:


Citizen Kane – Orson Welles 1941