Pomar de Letras é uma colaboração de diversos amigos, em formato "zine". Tem por objectivo encontrar um espaço no nosso meio cultural e divulgar a obra e propostas dos seus colaboradores nas mais variadas expressões. Conta por isso com o apoio e a colaboração de todos. Partilha connosco a tua arte, contacta-nos através da conta de correio electrónico pomardeletras@gmail.com, para que juntos, possamos florescer e ser frutos desta pequena (r)evolução.
sábado, 2 de abril de 2016
terça-feira, 29 de março de 2016
Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#13/2016)
(É uma Segunda metafórica...)
Escrever
Se eu pudesse havia de... de...
transformar as palavras em clava!
havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante!
Sem música, como um gesto,
uma pancada brusca e sóbria.
Para quê,
mas para quê todo o artifício
da composição sintáctica e métrica,
este arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras: pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo!
Vejo, admiro, desejo?
Ou não... ou sim.
E, como isto, continuando...
E gostava,
para as infinitamente delicadas coisas do espírito
(quais? mas quais?)
em oposição com a braveza
do jogo da pedrada,
da pontaria às coisas certas e negadas,
gostava...
de escrever com um fio de água!
um fio que nada traçasse...
fino e sem cor... medroso...
Ó infinitamente delicadas coisas do espírito...
Amor que se não tem,
desejo dispersivo,
sofrimento indefinido,
ideia incontornada,
apreços, gostos fugitivos...
Ai, o fio da água,
o próprio fio da água poderia
sobre vós passar, transparentemente...
ou seguir-vos, humilde e tranquilo?
Irene Lisboa
segunda-feira, 28 de março de 2016
Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#13/2016)
Syd Arthur - On An On - 2012
Syd Arthur é uma banda que conjuga guitarras progressivas com Folk e letras fortes que captam a atenção dos ouvintes. "On An On", de 2012, mostra um controlo rítmico nos "riffs" que poucos conseguem. Os elementos progressivos encaixam na perfeição fazendo então um combo de energia extraordinário, conseguindo que as músicas se tornem numa espécie de vício inquebrável. A confirmar está a "Ode To The Summer".
domingo, 27 de março de 2016
Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires 6/10 (Obra de Paulo Seara)
Lê, ou relê, as partes anteriores; 1; 2; 3; 4; 5;
Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires
6
Um cliente do Aires, teve um dia mau em casa e não estava com coragem para enfrentar a mulher. Tudo por causa de uma tomada eléctrica que provocou um curto circuito durante a madrugada. A vizinhança alertada, chamou os bombeiros que surpreenderam a mulher dormindo nua em casa. Nessa noite ele tinha estado de serviço pois era segurança num banco. Estupefacto, o Aires alertou-o para ter cuidado com as tomadas eléctricas e para que nunca lhes mijasse em cima. E abordando-o mais tarde, disse-lhe, confessionalmente, que o mijo era bom para limpar as feridas pois tinha o mesmo efeito que a água oxigenada. Depois de uma longa conversa o Aires decidiu oferecer uma dupla dose de Martini misturada com o pénis. Teve pena do gajo.
Naquela conversa ninguém falou de Beijos Negros.
SCREEN SHOT por A.A.M. (#13/2016)
(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)
Clássico: The Greatest Story Ever Told [A Maior História de Todos os Tempos] (1965)
Realização: George Stevens; David Lean e Jean Negulesco (não creditados)
Clássico: The Greatest Story Ever Told [A Maior História de Todos os Tempos] (1965)
Realização: George Stevens; David Lean e Jean Negulesco (não creditados)
Páscoa não seria Páscoa sem as tardes de filmes de temática apropriada à época sobre a vida de Jesus Cristo. O clássico deste fim de semana santo, A Maior História de Todos os Tempos, tem também presença regular nas nossas televisões. De duração quase sempre muito extensa, este como outros, relata toda a história desde o nascimento, a vida, morte e ressurreição de Jesus. Várias nomeações tornam este filme um êxito de 1965 onde protagonizavam Max von Sydow, Martin Landau, Charlton Heston, Claude Rains. Para além de folares, filhós e doçaria de vários géneros, em tardes de repasto longos minutos relembravam a mais bela história que desde bem pequenos era atualizada nesta altura. Um clássico para a eternidade.
Nota do Editor:
Nesta edição de 2016, o treze revelou-se um número fatídico para a rubrica SCREEN SHOT, infelizmente, compromissos profissionais tornaram inviável a continuação da colaboração do André com a Pomar e, consequentemente, o término desta rubrica. Resta-nos agradecer ao André a sua colaboração connosco e desejar-lhe felicidades e um futuro promissor, enquanto esperamos que ele possa voltar a colaborar connosco. Entretanto, ainda sem uma proposta alternativa, a sessão de cinema vai para intervalo na Pomar de Letras e retomará assim que possível.
Aproveito ainda para pedir desculpa pelos atrasos nas publicações, mas motivos profissionais, também, complicam as rotinas do blogue.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Poesia de primeira, à Sexta-Feira (#12/2016)
Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.
Uniões I
Ideias, conceitos, vogo até ao termo
despropositado de vulgares ideais idealizados, deambulatórios no pináculo
sobriamente divagado nas curvas que te comandam… vozes aleatórias que perseguem
o corpo, tributos turvos de atribulados espaços errantes, captas a instância,
prevaleces na figura, observas atentamente aquele ponto que te persegue,
deslumbras-te no vazio e consomes-te no tecido… Espraias-te no zimbório tocando
com teus dedos, humedecidos no sexo, as extremidades das constelações esquecidas
e deixas-te guiar para o papel. Pelo papel renasces bela, adormecida, dormindo
num pesadelo de cetim, onde tu, Cronos, regurgitando teus filhos, te perdes na
embriaguez das vagas encrespando seu abraço em teu redor. Num suave toque de
seda, deixas-te deslumbrar pela ausência idealizada em mecanismos
anatematizados pelo torpor do ódio enquanto olhas, captando o vazio. Deixas que
o algodão te toque, doce como o mar.
Nuno Baptista e Rogério Paulo E. Martins
Espaços em Branco
Ao fim da noite, no frio do táxi, pousas
a cabeça no meu ombro - e assim entramos
duma vez e inteiramente na nossa vida.
Lá fora, pelo contrário, tudo perde realidade;
há em toda a parte um sossego abstracto,
as ruas parecem pintadas - betão entre
as árvores - numa tela baça. Vamos por lugares
que não reconheço, a minha geografia é vaga
e omissa como a dos velhos cartógrafos
que desenhavam um mundo cheio de espaços
em branco. É onde estamos agora, num
intervalo do mapa rente à primeira manhã -
que será a nossa e também a última.
Rui Pires Cabral
quinta-feira, 24 de março de 2016
Poesia de primeira, à Quinta-Feira (#12/2016)
Para celebrar o dia mundial da poesia (21 de Março), durante esta semana, todos os dias haverá Poesia de primeira; dois poemas, um da autoria dos nossos colaboradores, o outro um poema de um autor escolhido por outro colaborador. Uma boa semana, boa Primavera, e boas leituras.
Há um esquisso de intimidade
Há um esquisso de intimidade
nesse aroma de café
que inaugura a manhã e que,
a conta-gotas,
se imiscui no cheiro
permanente dos livros.
Há um secreto aconchego
nessa luz de sol morno
que entra pela janela,
nesse silêncio cortado, a espaços,
pelas vozes abafadas dos vizinhos.
Sobram ecos da infância
no tilintar da loiça
dos almoços dos outros,
no aroma familiar
do assado de domingo,
nas conversas cruzadas
que adivinho…
E tudo, de uma vez só,
me assalta:
o torpor das tardes de estio,
o cheiro dos limos
e das malápias,
as brincadeiras depois da escola,
os rostos amigos…
E tudo, como cenas
de um filme mudo,
agarro, como, num ápice,
tudo perco…
Uma chama não chama a mesma chama
uma chama não chama a mesma chama
Há um esquisso de intimidade
Há um esquisso de intimidade
nesse aroma de café
que inaugura a manhã e que,
a conta-gotas,
se imiscui no cheiro
permanente dos livros.
Há um secreto aconchego
nessa luz de sol morno
que entra pela janela,
nesse silêncio cortado, a espaços,
pelas vozes abafadas dos vizinhos.
Sobram ecos da infância
no tilintar da loiça
dos almoços dos outros,
no aroma familiar
do assado de domingo,
nas conversas cruzadas
que adivinho…
E tudo, de uma vez só,
me assalta:
o torpor das tardes de estio,
o cheiro dos limos
e das malápias,
as brincadeiras depois da escola,
os rostos amigos…
E tudo, como cenas
de um filme mudo,
agarro, como, num ápice,
tudo perco…
Luísa Félix
uma chama não chama a mesma chama
há uma outra chama que se chama
em cada chama que chama pela chama
que a chama no chamar se incendeia
um nome não nome o mesmo nome
um outro nome nome que nomeia
em cada nome o meio pelo nome
que o nome no nome se incendeia
uma chama um nome a mesma chama
há um outro nome que se chama
em cada nome o chama pelo nome
que a chama no nome se incendeia
um nome uma chama o mesmo nome
há uma outra chama que nomeia
em cada chama o nome que se chama
o nome que na chama se incendeia
E.M. de Mello e Castro
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