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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#16/2016)

Vintertur - Vintertur EP - 2013





Lançado durante o mês de Abril de 2013, o EP de estreia, homónimo, de Vintertur está carregado de boas influências. Com um som inteligente recheado com sintetizadores negros e uma voz de fazer inveja, "Vintertur" prima no minimalismo da sua electrónica, conseguindo permanecer vibrante, melancólico, cheio de tensão e implosões rítmicas. Vintertur é bom e recomenda-se. Fiquem com "Needs" que conta com a voz de Johanne.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Ditados Impopulares (#08/2016)



"Uma expressão não muito popular e que dá sempre fumo preto mas que as crianças mais eruditas usam para pedir mudança de fraldas à sua mãe ou ao seu papá."


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domingo, 17 de abril de 2016

Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires 9/10 (Obra de Paulo Seara)

Lê, ou relê, as partes anteriores; 123456; 7; 8;


Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires



9


Era só um chá. Mas o Aires não gostava de servir chá. Era uma das poucas bebidas quentes onde não ousava meter o instrumento sexual. Um galão ainda vai. O que fazer?

Porque não aviar a bexiga naquela chávena? Qual é o mal, afinal ainda há pouco estivera a beber chá. Ao mesmo tempo poupava nas contas do bar. O cliente poderia voltar e chamar mais alguém para beber aquele chá de edição limitada, com propriedades terapêuticas. E era muito anormal no café os homens pedirem-lhe chá – pensou Aires.

Animagem (#08/2016)

"The Reward" (A Recompensa*) conta as aventuras atribuladas de dois desconhecidos que encontram um mapa, que os leva numa épica e enriquecedora demanda. Com uma história interessante e muito bem contada, o X assinala o sítio, e no final obtém-se A Recompensa.


Poesia de primeira, ao Domingo (#15/2016)

Se te queres matar, porque não te queres matar?


Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?

Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...


Álvaro de Campos

terça-feira, 12 de abril de 2016

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#15/2016)

Belle Ville - Inside Outside (EP) - 2013





Este EP dos Belle Ville é qualquer coisa de extraordinário. "Inside Outside" confirma que esta banda está no caminho certo na criação de uma sonoridade única onde temos a electrónica misturada com uma voz alucinante, frágil, que murmura gentilmente em cada música. Esta combinação cheia de conotações ousadas leva o Dubstep e o Dream-pop a um patamar completamente distinto. Fiquem com "Mixed Voices".


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires 8/10 (Obra de Paulo Seara)

Lê, ou relê, as partes anteriores; 123456; 7;


Conto do Beijo Negro com Três Grandes Conselhos de Aires



8


É dia de Páscoa na terra do Aires. Como sempre a visita pascal percorre toda a vila. Mas este ano uma nova porta irá reverenciar sua excelência o senhor Padre: a porta do Aires.

Apesar de ainda não estar toda a corrente eléctrica instalada, de grosso modo a casa está pronta para ser habitada. Na sala, ao lado da estante de livros, o Aires dá lustro às garrafas de variados vinhos espirituosos. Espera secretamente oferecer um vermute bem mexido ao senhor Padre. E arriscará largar umas gotas de urina.

Aires encontra-se feliz, investir no bar foi um golpe de génio e destruiu a concorrência. Antes, obscurecido pela dúvida e o remorso pensava que a existência se encontrava a caminho de um buraco negro e que a sorte lhe tinha dado um beijo negro. Mas felizmente o financiamento que obteve por desinfectar a cabeça do bancário da vila, que tinha sofrido uma mordedura de uma víbora quando olhava para a tratadora de cobras do circo, propiciou-lhe uma prosperidade inesperada.

E assim pôs de parte a ideia de ser modelo ao natural na escola de belas artes do Porto ou o químico cerebral que reabilitará a urina, dando-lhe um velho nome: amónio. 

Voltando às celebrações pascais; o Aires ficou aborrecido, o Padre não quis beber nada, nem uma poncha. Que falta de respeito pela tradição pensou Aires.