Pesquisar neste blogue

sábado, 9 de maio de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins [#12/2015 (final)]

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (hoje, excepcionamente, publicam-se os dois finais). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.
VIII aqui
IX aqui
X aqui
XI aqui


Durou, portanto, obra de meia semana este meu período de inércia, Terça-feira voltei à escola. E se nos primeiros dias me tiver afectado algum medo de que a dor me incomodasse e atrapalhasse, terá sido só, mesmo, nos primeiros dias, pois lembro-me de durante este período sempre ter mantido a agilidade que me era característica e não deixei, inclusive, de jogar à bola. Tanto que, quando em Abril fui retirar o gesso, chegado a casa logo fui jogar à bola – o médico dissera para exercitar o pé! – e só desisti, porque num gesto de maior violência dei um esticão tremendo no músculo atrofiado que, numa dor, relampejante, se ressentiu de todo aquele tempo preso na barreira de gesso.

Então, fui andar de bicicleta…


(Aveiro, 2 de Março de 2009)


Rogério Paulo E. Martins

sexta-feira, 8 de maio de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#19/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Filme: Pára-me de Repente o Pensamento
Realização: Jorge Pelicano


Loucura criativa, loucura patológica. Ténue e invisível é por vezes a barreira que separa estas duas frentes. Foi a transposição desse limite que levou em 1894 Ângelo de Lima, poeta e artista, a ser admitido no Centro Hospitalar Conde Ferreira. É ele quem o ator Miguel Borges tenta encarnar numa demonstração do processo criativo de uma personagem para a sua próxima peça de teatro. Para isso, ele próprio se “internou” durante 3 semanas e partilhou com os utentes do Hospital todas as suas rotinas. Tudo isso captado pelo olhar atento e detalhado de Jorge Pelicano. Um relato de forte carga emocional com participação fundamental dos pacientes, funcionários e colaborados que dão vida e partilham a vida diariamente por entre as paredes desta instalação psiquiátrica. A arquitectura humana suplanta o misticismo muitas vezes associado a este espaço, num relato que nos conta a história da génese e missão do Centro Hospitalar Conde Ferreira e nos abre a porta ao conhecimento deste paradigma e também às suas instalações. Já aclamado como uns dos melhores trabalhos sobre o tema, espera sensibilizar o público para esta causa a nível nacional com esta estreia no circuito de cinema português. Dizem que ninguém está livre de padecer de uma doença a nível psíquico, fica portanto uma visão interna daquilo que hoje é visto como uma doença. Nas palavras de Ângelo de Lima, em 1915: 


Pára-me de Repente o Pensamento


Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.


Ângelo de Lima, in 'Antologia Poética'


paramederepenteopensamento.com


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Poesia de primeira, à Segunda-Feira (#18/2015)

O carteiro de Pablo Neruda


Impecável no uniforme
O carteiro de Pablo Neruda.
Recebo-te com jogos de sombras e
Lateja a dureza de formigueiro no meu braço
Como uma lixa esfregando até se fazer dia.
Acordado às onze horas e sem pequeno-almoço
O carteiro carregou-me de bemóis no resto das costas,
Traz-me uma conta, uma dívida,
Um juro sináptico e o patíbulo somático
Do tribunal da sociedade de mercado livre.

De súbito, dez metros de labaredas
E o pêlo do cão pompeia no orvalho
Uma destruição aquiesce, uma vez e outra vez;
E conto as suas sete partidas, sete nós e sete caralhos.

O amor é uma coisa, fora do sistema deste mensageiro.
Não me trouxe a beleza – que tudo acaba na capitulação –
Quando os rostos estremecem é por cobiça,
Uma algaraviada de lógica, ou ópera ensandecida de braços ao sol
Ao jeito dos italianos purpúreos de indignação.

Mas o começo da ária de Sibaris
Serve-se agora gorgolejante no riacho frio
Nas faldas e fisgas do Marão, numa mesa de zinco acesa de sangue
Mostruário do meu coração.

Carteiro galáctico de Pablo Neruda
Murmura o teu automóvel no sorvedouro de saibro
Como as taipas da minha autopista que noutros verões,
Me levaram os carrinhos de corridas.

Se alguém se vai embora (de onde e para onde)?
Mais cedo ou mais tarde a infusa despejar-lhe-á as letras
E os tropeções das letras e as traições do papel químico.
O correio irá demoniacamente atrás de ti
Atrás do teu cheiro como uma puta futura.


(23.07.2013)


Paulo Seara

domingo, 3 de maio de 2015

Undenied Pleasures por Nuno Baptista (#18/2015)



Os The Dark Flowers são um projecto musical composto por Paul Statham, Jim Kerr, Peter Murphy, Dot Allison, Kate Haynevik, Catherine AD, Shelly Poole e Helicopter Girl. Já são apelidados de "Super Banda" dada a sua formação. "Radioland" é descrito como coeso, dramático, belo... confirmo, um álbum poderoso, como seria de esperar depois de ter colaboradores que dispensam apresentações.
Fiquem com o single "Fast Forest Rain".


sábado, 2 de maio de 2015

O Aniversário da Marlene por Rogério Paulo E. Martins (#11/2015)

O aniversário da Marlene é um conto, da autoria de Rogério Paulo E. Martins, do qual será partilhado um parágrafo semanalmente (independentemente do seu comprimento). Sempre aos Sábados, pelas 21:30, não percas, um exclusivo da Pomar de Letras.


Lê os primeiros parágrafos.
VIII aqui
IX aqui
X aqui


Estes primeiros dias de imobilidade deixaram-me num estado de total dependência, pelo que o meu pai me levava ao colo, ora para o quarto, ora para a sala, onde sempre deitado e com a perna levantada fazia também as minhas refeições. E, porque necessidades todos nós as temos, também me levava o meu pai à casa de banho, onde um banco ajudava a cumprir o propósito de manter a perna erguida, e onde me ajudava nos primeiros tempos a banhar-me. Era o Igor ainda criança e toda esta atenção lhe provocou aqueles jeitos que a inocência da meninice é bela em ter. Assim, em jeito de ciúme pueril pelo afecto que via ao irmão, apanhou-o a minha mãe em suspiro, Quem me dera partir um braço… (é deveras bela a meninice.)


Na próxima semana, não percas o final de O aniversário da Marlene, numa publicação, ainda mais exclusiva, de dois parágrafos. ;)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

SCREEN SHOT por A.A.M. (#18/2015)

(Screen Shot é escrito segundo a nova variação ortográfica.)


Série: Wayward Pines (2015)
Criador: Chad Hodge


Wayward Pines é uma pequena cidade do estado de Idaho. É também o nome da próxima grande estreia no que diz respeito a novas séries para 2015. Reunindo em vasto leque de notáveis realizadores, de onde se destaca M. Night Shyamalan, traz-nos muito ao estilo de Twin Peaks, uma visão intrínseca de um profundo suspense. Participam nos papeis principais Matt Dillon, Carla Gugino, Shannyn Sossamon, Juliette Lewis, Terrence Howard, entre outros, deixando antever grandes interpretações. Juntos narram a história da investigação de um agente dos serviços secretos, Ethan Burke (Matt Dillon), que foi destacado para investigar o desaparecimento inesperado de dois agentes federais. Rapidamente se apercebe que intenções misteriosas jazem em Wayward Pines que não só irão dificultar o seu trabalho como também testar a sua permanência no bucólico local. Uma série a não perder com estreia mundial em 14 de Maio.